quinta-feira, 15 de setembro de 2011

[Traduções] Night of Hunters - Parte I


No fan site Yessaid, foram publicadas letras completas de todas as faixas do Night of Hunters, e como já é hábito do blog, decidi traduzi-las para serem publicadas em duas partes. Semelhante ao Scarlet’s Walk, o novo álbum também é uma narrativa, e tal qual o Scarlet’s Bio, Tori escreveu uma introdução, faixa a faixa, na qual ela explica de forma minuciosa como cada canção é um capítulo deste “livro sônico”. Você poderá ler a intro completa AQUI, mas decidi pôr para cada letra seu trecho correspondente, em itálico, para que se possa acompanhar o desenrolar dessa “Noite de Caçadores”. Além disso, caso você queira ler as letras em inglês mesmo, é só clicar SOBRE OS NOMES de cada faixa que você será transmitido diretamente à fonte de onde retirei cada uma, repetindo, o Yessaid (Thank you, guys, you did a wonderful work!).

Pra terminar essa fala inicial, é preciso reforçar mais uma coisa: quaisquer erros ou incoerências que vocês identifiquem, fiquem completamente à vontade para apontar. Assim o material fica mais organizado e fidedigno ao trabalho de Torita! E que o mar estilhace!


SHATTERING SEA

"Night of Hunters" é um ciclo de canções que começa com o despedaçar de um relacionamento, à medida que, lentamente, o sol desaparece e o crepúsculo se assenta. Sozinha numa casa em estilo Georgiano, ao lado do Rio Bandon, nas redondezas de Kinsale Co Cork, Irlanda, tori começa a reajustar os pedaços do que restou em Shattering Sea. O "Ele" na história que nos é contada carrega a força da maré e da onda, enquanto ela traz a força do fogo.

Não é meu esse sangue
No chão do quarto...
Não é esse o cálice
Que antes eu havia jogado

Ele obtém sua força da maré e das ondas
Os grãos de areia são meu domínio
Sua tempestade criou um relâmpago raivoso,
Que, pelos meus braços, formou um mar de vidro…

Mar estilhaçando… Fechando meus olhos
Mar estilhaçando… Fechando meus olhos
Mar estilhaçando… Fechando meus olhos

Cada fronteira, cada curva, cada rodopio, cada desvio
De cada palavra brutal!

Cada desvio, cada fronteira, cada rodopio, cada curva
De cada palavra brutal!

Não é meu esse sangue
No chão do quarto...
Não é esse o cálice
Que antes eu havia jogado!


SNOWBLIND

Ela logo encontra uma criatura metamórfica chamada Anabelle, que surge inicialmente como uma raposa, e explica a tori que só com a noite e a escuridão somos capazes de começar a ver com nossos olhos mais íntimos. Anabelle então sugere que um fragmento da história do casal, agora perdido, remeteria à Irlanda Ancestral. Ela encoraja tori a se permitir uma travessia pelo tempo-espaço e voltar mentalmente nos anos, para quando este casal caminhava por aqueles mesmos montes, só que num passado mítico irlandês.

Anabelle:
Alguns são cegados pela luz...

Tori:
Quando é dia
Mas com a chegada da noite...

Anabelle:
Uma vez que seja, enxergam com clareza

Com olhos de raposa,
Estive lhe observando

Tori:
Como você deixa sua mente livre
Para não ser confinada
Pelo conceito que temos
Daquilo chamado de Tempo?


Anabelle:
Siga-me
Chame a mim

Tori and Anabelle:
Anabelle!

Tori:
Alguns são cegados pela luz,
Quando é dia
Mas com a chegada da noite,
Uma vez que seja, enxergam com clareza

Eu irei
Lhe seguir,
Anabelle!

Apenas o imagine
Ali, naquela colina
3000 anos antes
Do momento presente

Anabelle:
Um fragmento chave
De você e ele

Tori:
E o que agora eu devo
Trazer de volta...
Estou perguntando

Anabelle:
Foram você gigantes
Ou amigos?
Até a Morríganº?

Tori:
Amantes ou inimigos?

Anabelle:
Uma das opções,
Ou todas elas

º "The Morrígan" é uma figura da mitologia irlandesa considerada uma Deusa, e suas faces vão desde divindade da Guerra até Deusa Tríplice (a virgem, a mãe e a ansiã); uma de suas formas é o corvo (Fonte: wikipédia).

BATTLE OF TREES

Com a habilidade de Anabelle de ver o passado, tori sai em busca de um fragmento-chave perdido, em Battle of Trees. Esta batalha épica teve lugar possivelmente há 3000 anos atrás, e não se deu apenas com armas físicas, já que incluía poetas de ambos os lados. Eles usavam o antigo alfabeto da árvore, O Beth-Luis-Nion (Bétula-Sorva-Freixo) para lutarem um contra o outro. Não obstante, a ira de um poeta, se fosse voltada habilidosamente contra o comandante de uma tropa inimiga, podia danificá-los de modo a criar uma vantagem psicológica para o exército daquele poeta.
Na Irlanda Antiga, enquanto as invasões tornavam-se mais e mais constantes, o respeito pela Deusa Branca era suplantado por aqueles que veneravam o Deus Trovão em todas as suas formas. Nosso casal lutou do mesmo lado, como poetas, contra os invasores. Nós todos sabemos que a tradição de culto à Deusa foi diminuída pelo Deus Trovão, e então o Cristianismo suprimiu qualquer marca dessa tradição ainda mais.


Nossa linguagem do amor,
A Batalha de Árvores
Lutamos lado a lado,
e ninguém conseguia expressar...

Consoantes tão precisas quanto as suas, amor
E minhas vogais, bem, eram confiáveis

Primeiro surge a Bétula
A Sorva é seguida pelo Freixo
Para se formar, através do Amieiro
E entrelaçar-se ao Salgueiro

O Espinheiro Alvar floresce,
Enquanto o Carvalho resguarda a porta
Ela é a dobradiça sobre a qual os anos oscilam
Ele corteja ao relâmpago, e a ela também

Convocando os espíritos
Com encantamentos
Você disse, "o Deus do Trovão parece ter,
Em nossos inimigos, seu próprio escolhido"
Mas sabíamos que os Tricomasº consideravam o Azevinho sagrado

Fomos isolados
Em um círculo de palavras que havíamos desenhado
Com sabedoria trazida das nove Aveleiras
Fogo da Sorva e bastão do Carvalho

Às 10, surge a videira
A qual produz vinho de amora-selvagem
A mudança constante do sol noturno
Uma canção no sangue do touro branco

Nossa linguagem do amor,
A Batalha de Árvores
Lutamos lado a lado,
e ninguém conseguia expressar...

Consoantes tão precisas quanto as suas, amor
E minhas vogais, bem, eram confiáveis

Das folhas da Hera extrai-se uma cerveja que pode desvelar
Os significados e traidores escondidos,
Somente revelados através de visões
Sim, vogais podem introduzir
"A" foi para o Abeto-prateado

Os Abetos, naturalmente,
Foram então os próximos a surgir
Com a Urze em seu estado
Mais passional

A dádiva do Choupo Branco para as almas dos mortos
Uma promessa de que esse não é o fim
Mas para a videira, o “U”, sua arca

Vogais e consoantes
O poder das árvores
O poder carregado por elas...
O poder da prosa

Então quando a igreja
Começou a desvirtuar os mitos antigos
Elas construíram sua própria Torre de Babel,
De Ulster a Munsterª

O Junco permitiu então
Que chegasse o Sabugueiro
A Terra realizou sua vontade,
O que fez a noite seguir o dia

De amanhecer a amanhecer
De Inverno a Inverno
Durante o dia, o Freixo tinha poder sobre o Amieiro

Nossa linguagem do amor,
A Batalha de Árvores
Lutamos lado a lado,
Daí ele disse a mim:
"Eu me esquivei de projéteis e até de flechas envenenadas,
Tão somente para não ser acertado pela lâmina de uma vogal

º “Tricomas” é a denominação que se dá aos “pêlos” nos vegetais, estruturas que costumam ficar nas folhas e outras partes verdes, sendo muitas vezes de caráter urticante (foto);
ª Ulster e Munster são províncias irlandesas.


FEARLESSNESS

Em Fearlessness, tori recobra outra memória de seu passado recente com "ele". A Dúvida e a Culpa parecem ter se estabelecido entre os dois; neste ponto, a vida deles no mar vem à tona. Na travessia do Atlântico empreendido no bote dele, do Novo Mundo ao Velho Mundo, forças externas começaram a separá-los, de modo a no fim da canção ouvirmos: "Então foi aí que a culpa surgiu, naquilo que antes eram duas forças unidas em Destemor".

O Destemor soprava
Com o vento,
Despertando para saudar o sol

Navegávamos,
Como os antigos
Pelos nove submundos

Sabíamos que perigos se anunciariam,
Eu tinha fé em nós dois

Ouça seu coração
Você pode me ouvir
Ouça seu coração
Você pode me ouvir

O dia tornou-se noite
Quando ele me questionou
Por que você não é capaz de equilibrar o céu?

Tempestades desalmadas
Enviaram sentinelas
Para lutar com armas sem lâmina

Parelhas de cavalos vindos da água salgada
Atravessaram o fogo buscando pelo clamor dele
Demônios do selvagem
Silvaram com o vento!
Você os ouviu?

Ouça seu coração
Você pode me ouvir
Ouça seu coração
Você pode me ouvir

O Destemor logo me lembrou,
“Você precisa ser mais forte que eles”
Advertindo àqueles que vivem
Sobre os que são cruéis por ver graça nisso

Ele permitiu a um obsessor da escuridão
Que orbitasse entre nós
Seus amigos das ninfas os convenceram que
O amor não era o bastante para enfrentar
Tempestades que estariam por vir

Suas canções inflamadas pela dúvida
Foram abafadas pelo Destemor

Parelhas de cavalos vindos da água salgada
Atravessaram o fogo buscando pelo clamor dele
Demônios do selvagem
Silvaram com o vento!
Você os ouviu?

Ouça seu coração
Você pode me ouvir
Ouça seu coração
Você pode me ouvir

Será que começamos sem saber disso?
Encontrando defeitos em cada dádiva,
Foi neste momento que a Culpa surgiu,
No espaço onde antes
Duas forças estavam unidas pelo
Destemor


CACTUS PRACTICE

Anabelle então compartilha sua visão do casal, fazendo tori ciente de que "cada casal tem uma versão daquilo que eles chamam de verdade". A metamorfa diz a tori para recuperar tudo o que jaze logo abaixo da história dos dois, trazendo essas coisas para perto de seu próprio fogo e, depois, abraçando a verdade que seria descoberta. Anabelle assume então sua forma de ganso, e oferece a tori um elixir de cacto para abrir sua visão e seu coração, a fim de entender o papel dela nesse afastamento "dele", tão destrutivo. Como se dá com qualquer elixir, sua função é levar quem o toma a um nível de intuição e compreensão os quais não seriam alcançáveis na luz fria do dia.

Tori:
Talvez ele e eu

Anabelle:
Sejam como um par de sóis
Que estão aprisionados

Tori:
Talvez ele e eu sejamos como par de sóis
Que estão aprisionados

Anabelle:
Eternamente ligados a buscar
O movimento em círculos, um do outro

Tori:
Eternamente ligados a buscar
O movimento em círculos, um do outro...
Presos por crenças!

Anabelle:
Que se tornaram cabos de aço

Tori:
Por que a desarmonia?
Vamos re-cantar meu mundo
Como uma provocação harmônicaº, assim isso encararei

Anabelle:
Gostaria de induzi-la
À bebida da Prática do Cacto
Cacto

Tori:
Cacto

Anabelle:
Prática


Tori:
Você me induzirá
À bebida da Prática do Cacto?
Cacto

Anabelle:
Cacto

Tori:
Prática

Você está dizendo que eu sou...


Anabelle:
Acomodada, mas consigo lidar com um rostinho de boneca

Tori:
Cada casal tem sua versão do que eles chamam de verdade
Cada casal tem sua versão do que eles chamam de verdade
Convoque tudo que se esconde


Anabelle:
Por baixo de ambas histórias

Tori:
De volta à minha chama

Anabelle:
Abrace o que encontrar

Tori:
Como uma provocação harmônica, assim isso encararei

Anabelle:
É hora de lhe induzir
À bebida da Prática do Cacto

Tori:
Cacto


Anabelle:
Cacto

Tori:
Prática

Anabelle:
Gostaria de induzi-la
À bebida da Prática do Cacto

Tori:
Cacto

Anabelle:
Cacto

Tori:
Prática
Você me induzirá
À bebida da Prática do Cacto?
Cacto
Cacto

º “Harmonic Defiance” é um termo usado em ASTROLOGIA, indicativo de que nós, humanos, viemos à Terra para sermos “provocados” pelas mudanças da vida, mas com o intuito de mantermos nossa harmonia diante dessas mudanças. Para conhecer um pouco mais desse conteúdo, acesse os dois links a seguir - link 1 / link 2.
Agradecimento: Uns versos dessa canção eu tomei emprestado de um post aleatório de Bruno Cercal, no facebook. Créditos a ele também!


STAR WHISPERER

Star Whisperer é o ponto onde tori começa a cantar diretamente à alma "dele". Ela se refere a "ele" como "você" pela primeira vez durante o ciclo de canções. "Ele" começa a ter voz e perspectiva, à medida que fala para ela através de diferentes instrumentos. O elixir que Anabelle deu a tori levou-a numa dimensão na qual está o Star Whisperer (encantador de estrelas), o qual dura mais de 9 minutos e se torna uma descoberta emocional, por tori entender que "você viu um lado meu que eu não queria ver", assim como "eu vi um lado de você que eu não queria ver".

Perdido Encantador de Estrelas,
Para onde, onde
Onde você foi?

Perdido Encantador de Estrelas,
Seus Cavaleiros das Nuvens virão?
Por quê? Oh, por que você trancou seu céu?
Noite no céu,
Você me suspira de volta à vida

A noite alerta sobre uma ameaça oriental
O Norte conclama por reforços do Oeste
Perdida toda a razão guardada pelo sábio,
Cante para que despertem Os Sete Lordes do Tempo

Perdido Encantador de Estrelas,
Mande seus cavaleiros das nuvens em nosso favor
Por quê? Por quê você trancou seu céu?
Céu noturno,
Suspire-me de volta à vida

Então, eu o ouvi gritar do outro lado da montanha,
E vi um lado de você que eu não queria ver
Oh, eu o ouvi gritar do outro lado da montanha...

* Instrumental *

Então, eu o ouvi gritar do outro lado da montanha,
Eu vi um lado de mim que eu não queria ver
Oh, eu o ouvi gritar do outro lado da montanha

Perdido Encantador de Estrelas,
Para onde, onde
Onde você foi?
Forjado no Fogo e Canção
Você alerta, "Ódio lança sombras sobre o Amor"
Por quê? Por quê você trancou seu céu?
Céu noturno,
Suspire-me de volta à vida

NOTA PESSOAL: “Star Whisperer” representa um momento de despertar para a personagem tori, uma vez que através de um ritual iniciado por alucinógeno, ela consegue ter mais clareza sobre quais razões levaram ao estilhaçar do relacionamento. Isso fica bastante evidente quando antes da parte instrumental, Amos canta culpando o parceiro, “E vi um lado de você que eu não queria ver”, para depois do instrumental tomar também para si a responsabilidade, e cantar, “Eu vi um lado de mim que eu não queria ver”.

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Por enquanto, é isso. Terça-feira que vem, dia de lançamento do álbum, ponho o restante das traduções!

Hernando Neto

Um comentário:

A. disse...

Depois de ler a introdução e conhecer as letras do NoH é impossível ouvir imaginando uma peça, um filme ou uma história real. E é lindo!
Parabéns pelas traduções.