UPDATE: A tradução foi revisada por Ailton Palaria, do blog literário Bibliophagia (muito obrigado!).
Olá, toriphiles!
Ontem fomos surpreendidos com a belíssima canção de abertura do Native Invader, "Reindeer King". Assim como fizemos com os lançamentos anteriores, aqui está a tradução de sua letra; para ler a original, clique AQUI.
REINDEER KING (REI RENA)
Cerne de cristal
Sua mente foi apartada de sua alma
Agora você diz ser esse estrangeiro* em sua costa
A aflição causa carência
Congelamento nu,
Apanhado na geada
Pensamentos insuportáveis e torpes
Sua chama guardiã** interior
Não está perdida
De modo algum
Não está perdida
Acabei de voltar do Rei Rena
Diz ele, “sua pureza de alma, cristalina”
Tem que se trazer, trazer-se de volta a si mesmo
Você, de volta a si mesmo
Você tem que se trazer de volta si mesmo
Trazer-se de volta a si mesmo
Cerne de cristal
Você está no ponto morto d’um mundo em rotação
A divisão
Temendo a morte, ansiando a vida
Gelo, você foi o mais gentil com os rios
Você, o topo das ondas
Camada sob camada, sob camada
Você tem que se trazer de volta si mesmo
E sabe que eu esquiaria
Esquiaria até o fim do mundo
Para segurar sua mão
Para livrar-lhe da dor
Você sabe que esquiaria
Da Escandinávia
Até as luas
De Júpiter com você
Acabei de voltar do Rei Rena
* O revisor da tradução apontou que “Stranger on your shore” pode ser uma referência ao livro de Albert Camus, “O Estrangeiro”. Veja que as capas de diversas edições deste livro apresentam de fato um homem pela costa.
** “Need-fire” trata-se de uma chama purificadora acesa pela fricção de madeira ou pedras, tradicionalmente usada para afastar maus espíritos de rebanhos. (Fonte)
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
[Tradução] "Still Those Songlines Sing": entrevista para o Pop Matters
Olá, toriphiles!
Hoje foi publicada pelo site Pop Matters uma entrevista de Tori para o jornalista Alex Ramon, em que se discute temas e referências do novo disco da pianista, Native Invader. É um material muito interessante e esclarecedor, por isso decidimos publicar o texto traduzido aqui. Para ler o original, clique AQUI. Deixamos como dica também uma resenha que Alex publicou em seu blog pessoal sobre o álbum, bastante detalhada e instigante. (Leia Boycotting Trends).
TORI AMOS CONVERSA SOBRE “NATIVE INVADER”
Tori Amos me liga de Nova York para nossa entrevista: calorosa, engraçada e graciosa, apesar de estar concluindo vários dias agitados de promoção na cidade, uma experiência que, não obstante, descreve como "uma festa". Com seu novo álbum Native Invader, a ser lançado em 8 de setembro e uma turnê europeia e norteamericana de três meses no horizonte, Amos soa caracteristicamente focada, presente e energizada. Agora com 15 álbuns, ela permanece como uma das mais vitais artistas norteamericanas: politicamente engajada, afiada e ainda determinada a realizar um longo cronograma de shows solo "enquanto eu ainda posso".
Amos imediatamente descreve Native Invader como "um álbum político". Originalmente inspirado em uma viagem pelas Smoky Mountains no verão passado, o novo disco, diz ela, mudou dramaticamente de foco devido a dois eventos: o resultado das eleições presidenciais dos EUA e um acidente vascular cerebral severo que deixou sua amada mãe Mary parcialmente paralisada e incapaz de falar. Na verdade, o Native Invader combina todos esses elementos. As suas referências à espiritualidade, songlines e história dos nativos americanos combinam-se com alusões a recentes desastres políticos e desafios pessoais, resultando em uma obra que soa como uma irmã espiritual de duas das principais obras-primas de Amos, Scarlet's Walk (2002) e American Doll Posse (2007).
Sonoramente, nascido como uma produção familiar pela colaboração de Amos com o marido engenheiro/guitarrista Mark Hawley (alem do arranjador de longa data John Philip Shenale em duas faixas), Native Invader compartilha da mesma base do antecessor Unrepentant Geraldines (2014). Porém o som é mais rico, com textura e ambicioso em frente aos arranjos claros e brilhantes de Geraldines; às vezes, rememoram algumas das obras mais elaboradas de Amos, From The Choirgirl Hotel (1998), To Venus and Back (1999) e Abnormally Attracted to Sin (2009).
Amos enfatiza que Native Invader é um registro que freqüentemente se volta à natureza, para os ritmos da (Mãe) Terra, como fonte de força e sabedoria contra forças segregadoras e destrutivas, como denota o single lançado recentemente "Up the Creek". Uma canção urgente e ecoante na qual Amos e sua filha Natashya Hawley trocam versos enquanto subvertem a expressão "Good Lord willing and the creek don't rise" para o tema das mudanças climáticas.
Questionada sobre a gênese dessa música, Amos remete para uma de suas principais inspirações, seu avô Cherokee, a quem ela lembra usando a expressão durante sua infância. "Eu estaria saindo pela porta, e ele diria: 'Até mais tarde, pequena. Good Lord willing and the creek don't rise'. Ele tinha um brilho em seus olhos visto que os Cherokee e os Creeks sofriam de uma hostilidade histórica." Como o título sugere, a própria Amos apropria-se da expressão com teor de empoderamento para o povo Muscogee. “Não sou qualificada para representar as Primeiras Nações", diz Amos. "Mas eu sou infinitamente inspirada por eles como guardiões da terra".
Pergunto-lhe como a contribuição de Tash para "Up the Creek" surgiu, uma vez que a faixa, enfatizando a soberania da Terra contra exploradores, sugere algo de complementar ao dueto anterior das duas, "Job's Coffin", no disco Night of Hunters (2011). "A música já estava se formando e se desenvolvendo no estúdio", diz Amos. "Então, quando Trump largou o Acordo de Paris, Tash apenas apareceu e disse: ‘Isso é guerra’. O que a levou a querer cantar na música".
Pergunto a Amos sobre o que o título do álbum, Native Invader, a evoca, e ela imediatamente enfatiza seus múltiplos significados. “As 9 Musas realmente me mostraram o caminho até o título. Essa idéia de uma invasão pode vir de muitas formas. Pode referir-se a algo que está acontecendo com seu corpo, como o AVC de Mary, ou mesmo como carregar um bebê: penso em Tash como meu invasor definitivo, de certa forma. Então não é necessariamente algo pejorativo, Alex. Podemos reivindicar esse conceito de invasão para nós mesmos, pensando nisso em termos de adentrar, procurar pistas, caçar informações”.
Assumindo ao mesmo tempo tom de confronto e conciliação, o próprio álbum está cheio de investigações subversivas, incorporadas na figura que intitula uma das faixas, “Benjamin”. A canção trata de um “amigo morcego de computador” caçador de fatos e envolvido com, entre outros assuntos , o marco ‘Juliana vs. os Estados Unidos’, emblemático caso judicial sobre mudanças climáticas. “Sugando hidrocarbonetos do chão / aqueles cafetões em Washington / estão vendendo o estupro da América / enquanto atacam Juliana”, Amos canta, enquanto guitarras elétricas resmungam em simpatia.
Ao longo de nossa conversa, Amos conceitua esses caçadores de fatos como “Benjamins”: “prodígios” científicos que parecem ter um lugar especial em seu coração, como coletores de informações produtivas fora do radar da cultura dominante. “Muitos americanos com os quais converso nem ouviram falar de ‘Juliana vs. EUA’ quando isso deveria ser gritado por todos os lados”, diz ela. “Isso faz com que você se pergunte o que está sendo suprimido pela mídia, o que os lobistas e Think Tanks estão fazendo” .
A majestosa faixa de sete minutos que abre o álbum, “Reindeer King” — construída em piano e cordas — compartilha desse sentimento de busca e questionamento. “Eu tive que ir ao deserto por essa [canção]”, diz Amos. "Eu estava aprendendo sobre as sondas [de Alberto] Behar, e ouvindo sobre o que estava acontecendo na camada de gelo na Groenlândia. Isso influenciou as imagens da música. É um registro bastante pautado em equilibrar elementos, criar com forças opostas, seja em um nível macro, ambiental, ou mais pessoal, como em ‘Chocolate Song’”.
Se a trilha acima é um dos momentos mais íntimos e domésticos do álbum, então a assertiva e dramática “Bang” — música que repensa a experiência de imigração por meio de referências cosmológicas, é uma das mais expansivas, com Amos alegremente a descrevendo como “o momento em que Carl Sagan encontra Frank Zappa”. “Algo que me faz virar os olhos sempre”, diz Amos, “ é quando você ouve americanos brancos se descrevendo como ‘nativos’. Às vezes, essa retórica não está longe da Alemanha ou da Grã-Bretanha nos anos 30, com os Blackshirts. Ouvir o que Carl Sagan tinha a dizer me fez querer explorar ainda mais quem são nossos antepassados e, além disso, de onde todos nós realmente viemos”.
Em um álbum que oferece muitos caminhos e quebra-cabeças a serem explorados pelo ouvinte (veja os samples de emissoras de números na faixa bônus “Russia”), Amos também identifica a relação “mãe-filha” como um fio condutor de Native Invader, seja na sensualmente derretida “ “Wildwood” ou na faixa final “Mary's Eyes”, que confronta a afasia de sua mãe. "Como você sabe, tenho sempre uma queda por Perséfone e Deméter", diz Amos.
A direção de arte atmosférica para o disco, que apresenta Amos sobre paisagens impressas com vários talismãs e totens, conversa com os temas líricos entrelaçados. Perguntada sobre referências visuais para o álbum, Amos credita Karen Binns, sua colaboradora de longa data, como “o cérebro conceitual” por trás das imagens. “Karen estava no começo de tudo”, confirma Amos. “Trabalhamos juntos já há tantos anos. Karen me colocou em contato com a artista polonesa Paulina [Otylie Surys], e foi uma grande colaboração”.
Em outra música, a queixosa e melancólica "Breakaway" (também solo), a gravação lança um olhar oblíquo e desiludido às traições e maquinações da indústria do entretenimento. Nossa conversa verte-se então no The Light Princess, excelente musical que Amos escreveu com Samuel Adamson para o National Theatre em Londres (2013) e que muitos de nós (incluindo um amigo que viu o show mais de 20 vezes ao longo de cinco meses) abraçamos de coração aberto.
Perguntada sobre a possibilidade de futuras produções da peça, a frustração de Amos pela relutância de produtores comerciais em assumir riscos e seu foco em imperativos financeiros — que (até agora) não permitiram um dos musicais mais ambiciosos, elaborados e cuidadosamente criados em história recente a ter a longa vida teatral que merece — rapidamente se torna aparente.
“Houve um ataque a The Light Princess, e as pessoas precisam saber disso. Não tenho certeza se entendo o porquê. Talvez entenda. É sobre certas pessoas que não desejam certos trabalhos por aí. O show precisa de alguém corajoso, não um plutocrata, para ganhar força. Sinceramente, se você não tem as aptidões de Boudicca e Gandhi combinadas, então você não pode produzi-lo.”
Os ensaios para a turnê Native Invader estão em andamento. Quais são os planos dela para os shows? “Bem, será sobre voltar ao cerne das músicas, não recriando o álbum ao vivo. Isso pediria dez pessoas no palco. Então, trata-se de trazê-lo de volta à forma elementar. De volta ao piano, onde as músicas começaram. É mais como a turnê do compositor. "
Pergunto a Amos se, no caminho inverso, ela já pensou em lançar um álbum de estúdio unicamente ao piano, já que muitos considerariam essa a mais pura expressão de sua arte. "Eu não diria Não a essa idéia, mas teria que haver um componente visual muito forte para o projeto. Pense em The Piano [de Jane Campion]”. Além da turnê, Amos também confirmou que uma edição remasterizada e expandida de From the Choirgirl Hotel será lançada no ano que vem, para o 20º aniversário do álbum, seguindo as recentes e bem sucedidas reedições da Rhino, para Little Earthquakes, Under the Pink e Boys for Pele.
Ao saber que me mudei de Londres para Łódź no ano passado, Amos, sempre curiosa, me questiona sobre a vida na Polônia e, em particular, a situação política atual do país após os recentes protestos em massa, contra as ações do governo para conter a independência judicial. Lembrando-se de seu show de 2014 em Varsóvia, no qual dedicou um cover impressionante de “Nights in White Satin” à comunidade LGBT, no contexto da controvérsia em torno do “Rainbow Arch” da cidade, suas perguntas me levam, em contrapartida, a indagar-lhe sobre a ausência da Polônia no itinerário da turnê Native Invader.
Fazendo referência a seus colaboradores poloneses na Night of Hunters, o Apollon Musagète Quartet (“oh, The Fab Four!”), Amos expressa o lamento de não poder ir a Polônia dessa vez, pondo a culpa simplesmente nos desafios de logística para se mover entre países durante uma série tão longa de shows. “Diga aos polacos que também não estou tocando na Flórida! Mas vou fazer vários eventos promocionais na Polônia no final deste mês, e estou ansiosa para estar lá. E, se eles puderem cruzar a fronteira, estou tocando em cinco cidades na Alemanha [Frankfurt, Hamburgo, Essen, Berlim, Munique]”. Ela ri: “Nesta turnê eu sou a Angela Merkel do Rock 'n' Roll”.
Native Invader será lançado pela Decca Records em 8 de setembro. A turnê em acompanhamento do disco começará em Cork, Irlanda, no dia 6 do mesmo mês.
Hoje foi publicada pelo site Pop Matters uma entrevista de Tori para o jornalista Alex Ramon, em que se discute temas e referências do novo disco da pianista, Native Invader. É um material muito interessante e esclarecedor, por isso decidimos publicar o texto traduzido aqui. Para ler o original, clique AQUI. Deixamos como dica também uma resenha que Alex publicou em seu blog pessoal sobre o álbum, bastante detalhada e instigante. (Leia Boycotting Trends).
TORI AMOS CONVERSA SOBRE “NATIVE INVADER”
Tori Amos me liga de Nova York para nossa entrevista: calorosa, engraçada e graciosa, apesar de estar concluindo vários dias agitados de promoção na cidade, uma experiência que, não obstante, descreve como "uma festa". Com seu novo álbum Native Invader, a ser lançado em 8 de setembro e uma turnê europeia e norteamericana de três meses no horizonte, Amos soa caracteristicamente focada, presente e energizada. Agora com 15 álbuns, ela permanece como uma das mais vitais artistas norteamericanas: politicamente engajada, afiada e ainda determinada a realizar um longo cronograma de shows solo "enquanto eu ainda posso".
Amos imediatamente descreve Native Invader como "um álbum político". Originalmente inspirado em uma viagem pelas Smoky Mountains no verão passado, o novo disco, diz ela, mudou dramaticamente de foco devido a dois eventos: o resultado das eleições presidenciais dos EUA e um acidente vascular cerebral severo que deixou sua amada mãe Mary parcialmente paralisada e incapaz de falar. Na verdade, o Native Invader combina todos esses elementos. As suas referências à espiritualidade, songlines e história dos nativos americanos combinam-se com alusões a recentes desastres políticos e desafios pessoais, resultando em uma obra que soa como uma irmã espiritual de duas das principais obras-primas de Amos, Scarlet's Walk (2002) e American Doll Posse (2007).
Sonoramente, nascido como uma produção familiar pela colaboração de Amos com o marido engenheiro/guitarrista Mark Hawley (alem do arranjador de longa data John Philip Shenale em duas faixas), Native Invader compartilha da mesma base do antecessor Unrepentant Geraldines (2014). Porém o som é mais rico, com textura e ambicioso em frente aos arranjos claros e brilhantes de Geraldines; às vezes, rememoram algumas das obras mais elaboradas de Amos, From The Choirgirl Hotel (1998), To Venus and Back (1999) e Abnormally Attracted to Sin (2009).
Amos enfatiza que Native Invader é um registro que freqüentemente se volta à natureza, para os ritmos da (Mãe) Terra, como fonte de força e sabedoria contra forças segregadoras e destrutivas, como denota o single lançado recentemente "Up the Creek". Uma canção urgente e ecoante na qual Amos e sua filha Natashya Hawley trocam versos enquanto subvertem a expressão "Good Lord willing and the creek don't rise" para o tema das mudanças climáticas.
Questionada sobre a gênese dessa música, Amos remete para uma de suas principais inspirações, seu avô Cherokee, a quem ela lembra usando a expressão durante sua infância. "Eu estaria saindo pela porta, e ele diria: 'Até mais tarde, pequena. Good Lord willing and the creek don't rise'. Ele tinha um brilho em seus olhos visto que os Cherokee e os Creeks sofriam de uma hostilidade histórica." Como o título sugere, a própria Amos apropria-se da expressão com teor de empoderamento para o povo Muscogee. “Não sou qualificada para representar as Primeiras Nações", diz Amos. "Mas eu sou infinitamente inspirada por eles como guardiões da terra".
Pergunto-lhe como a contribuição de Tash para "Up the Creek" surgiu, uma vez que a faixa, enfatizando a soberania da Terra contra exploradores, sugere algo de complementar ao dueto anterior das duas, "Job's Coffin", no disco Night of Hunters (2011). "A música já estava se formando e se desenvolvendo no estúdio", diz Amos. "Então, quando Trump largou o Acordo de Paris, Tash apenas apareceu e disse: ‘Isso é guerra’. O que a levou a querer cantar na música".
Pergunto a Amos sobre o que o título do álbum, Native Invader, a evoca, e ela imediatamente enfatiza seus múltiplos significados. “As 9 Musas realmente me mostraram o caminho até o título. Essa idéia de uma invasão pode vir de muitas formas. Pode referir-se a algo que está acontecendo com seu corpo, como o AVC de Mary, ou mesmo como carregar um bebê: penso em Tash como meu invasor definitivo, de certa forma. Então não é necessariamente algo pejorativo, Alex. Podemos reivindicar esse conceito de invasão para nós mesmos, pensando nisso em termos de adentrar, procurar pistas, caçar informações”.
Assumindo ao mesmo tempo tom de confronto e conciliação, o próprio álbum está cheio de investigações subversivas, incorporadas na figura que intitula uma das faixas, “Benjamin”. A canção trata de um “amigo morcego de computador” caçador de fatos e envolvido com, entre outros assuntos , o marco ‘Juliana vs. os Estados Unidos’, emblemático caso judicial sobre mudanças climáticas. “Sugando hidrocarbonetos do chão / aqueles cafetões em Washington / estão vendendo o estupro da América / enquanto atacam Juliana”, Amos canta, enquanto guitarras elétricas resmungam em simpatia.
Ao longo de nossa conversa, Amos conceitua esses caçadores de fatos como “Benjamins”: “prodígios” científicos que parecem ter um lugar especial em seu coração, como coletores de informações produtivas fora do radar da cultura dominante. “Muitos americanos com os quais converso nem ouviram falar de ‘Juliana vs. EUA’ quando isso deveria ser gritado por todos os lados”, diz ela. “Isso faz com que você se pergunte o que está sendo suprimido pela mídia, o que os lobistas e Think Tanks estão fazendo” .
A majestosa faixa de sete minutos que abre o álbum, “Reindeer King” — construída em piano e cordas — compartilha desse sentimento de busca e questionamento. “Eu tive que ir ao deserto por essa [canção]”, diz Amos. "Eu estava aprendendo sobre as sondas [de Alberto] Behar, e ouvindo sobre o que estava acontecendo na camada de gelo na Groenlândia. Isso influenciou as imagens da música. É um registro bastante pautado em equilibrar elementos, criar com forças opostas, seja em um nível macro, ambiental, ou mais pessoal, como em ‘Chocolate Song’”.
Se a trilha acima é um dos momentos mais íntimos e domésticos do álbum, então a assertiva e dramática “Bang” — música que repensa a experiência de imigração por meio de referências cosmológicas, é uma das mais expansivas, com Amos alegremente a descrevendo como “o momento em que Carl Sagan encontra Frank Zappa”. “Algo que me faz virar os olhos sempre”, diz Amos, “ é quando você ouve americanos brancos se descrevendo como ‘nativos’. Às vezes, essa retórica não está longe da Alemanha ou da Grã-Bretanha nos anos 30, com os Blackshirts. Ouvir o que Carl Sagan tinha a dizer me fez querer explorar ainda mais quem são nossos antepassados e, além disso, de onde todos nós realmente viemos”.
Em um álbum que oferece muitos caminhos e quebra-cabeças a serem explorados pelo ouvinte (veja os samples de emissoras de números na faixa bônus “Russia”), Amos também identifica a relação “mãe-filha” como um fio condutor de Native Invader, seja na sensualmente derretida “ “Wildwood” ou na faixa final “Mary's Eyes”, que confronta a afasia de sua mãe. "Como você sabe, tenho sempre uma queda por Perséfone e Deméter", diz Amos.
A direção de arte atmosférica para o disco, que apresenta Amos sobre paisagens impressas com vários talismãs e totens, conversa com os temas líricos entrelaçados. Perguntada sobre referências visuais para o álbum, Amos credita Karen Binns, sua colaboradora de longa data, como “o cérebro conceitual” por trás das imagens. “Karen estava no começo de tudo”, confirma Amos. “Trabalhamos juntos já há tantos anos. Karen me colocou em contato com a artista polonesa Paulina [Otylie Surys], e foi uma grande colaboração”.
Em outra música, a queixosa e melancólica "Breakaway" (também solo), a gravação lança um olhar oblíquo e desiludido às traições e maquinações da indústria do entretenimento. Nossa conversa verte-se então no The Light Princess, excelente musical que Amos escreveu com Samuel Adamson para o National Theatre em Londres (2013) e que muitos de nós (incluindo um amigo que viu o show mais de 20 vezes ao longo de cinco meses) abraçamos de coração aberto.
Perguntada sobre a possibilidade de futuras produções da peça, a frustração de Amos pela relutância de produtores comerciais em assumir riscos e seu foco em imperativos financeiros — que (até agora) não permitiram um dos musicais mais ambiciosos, elaborados e cuidadosamente criados em história recente a ter a longa vida teatral que merece — rapidamente se torna aparente.
“Houve um ataque a The Light Princess, e as pessoas precisam saber disso. Não tenho certeza se entendo o porquê. Talvez entenda. É sobre certas pessoas que não desejam certos trabalhos por aí. O show precisa de alguém corajoso, não um plutocrata, para ganhar força. Sinceramente, se você não tem as aptidões de Boudicca e Gandhi combinadas, então você não pode produzi-lo.”
Os ensaios para a turnê Native Invader estão em andamento. Quais são os planos dela para os shows? “Bem, será sobre voltar ao cerne das músicas, não recriando o álbum ao vivo. Isso pediria dez pessoas no palco. Então, trata-se de trazê-lo de volta à forma elementar. De volta ao piano, onde as músicas começaram. É mais como a turnê do compositor. "
Pergunto a Amos se, no caminho inverso, ela já pensou em lançar um álbum de estúdio unicamente ao piano, já que muitos considerariam essa a mais pura expressão de sua arte. "Eu não diria Não a essa idéia, mas teria que haver um componente visual muito forte para o projeto. Pense em The Piano [de Jane Campion]”. Além da turnê, Amos também confirmou que uma edição remasterizada e expandida de From the Choirgirl Hotel será lançada no ano que vem, para o 20º aniversário do álbum, seguindo as recentes e bem sucedidas reedições da Rhino, para Little Earthquakes, Under the Pink e Boys for Pele.
Ao saber que me mudei de Londres para Łódź no ano passado, Amos, sempre curiosa, me questiona sobre a vida na Polônia e, em particular, a situação política atual do país após os recentes protestos em massa, contra as ações do governo para conter a independência judicial. Lembrando-se de seu show de 2014 em Varsóvia, no qual dedicou um cover impressionante de “Nights in White Satin” à comunidade LGBT, no contexto da controvérsia em torno do “Rainbow Arch” da cidade, suas perguntas me levam, em contrapartida, a indagar-lhe sobre a ausência da Polônia no itinerário da turnê Native Invader.
Fazendo referência a seus colaboradores poloneses na Night of Hunters, o Apollon Musagète Quartet (“oh, The Fab Four!”), Amos expressa o lamento de não poder ir a Polônia dessa vez, pondo a culpa simplesmente nos desafios de logística para se mover entre países durante uma série tão longa de shows. “Diga aos polacos que também não estou tocando na Flórida! Mas vou fazer vários eventos promocionais na Polônia no final deste mês, e estou ansiosa para estar lá. E, se eles puderem cruzar a fronteira, estou tocando em cinco cidades na Alemanha [Frankfurt, Hamburgo, Essen, Berlim, Munique]”. Ela ri: “Nesta turnê eu sou a Angela Merkel do Rock 'n' Roll”.
Native Invader será lançado pela Decca Records em 8 de setembro. A turnê em acompanhamento do disco começará em Cork, Irlanda, no dia 6 do mesmo mês.
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
[Tradução] Letra oficial de Up The Creek
Olá, toriphiles!
Desde quarta à noite a canção Up The Creek circula entre os fãs, e hoje (11/08) finalmente foi lançada em todas as plataformas digitais. Traduzi-la deu um pouco de trabalho por ser uma canção com expressões idiomáticas; fiz o possível para adaptá-la à nossa realidade, no entanto vale a pena ler as notas inclusas. Além de explicar alguns versos, há nelas referências históricas que ambientam ainda melhor a temática. Finalmente, para ouvi-la no Spotify, clique AQUI. Ao fim da publicação está incluído o link do Youtube.
Up The Creek (Corredeira Acima*)
[Leia a original AQUI]
Se o vento estiver a nosso favor**
Se o vento estiver a nosso favor
Temos chance de sobreviver
Caso a Milícia da Mente
Arme-se contra os daltônicos do climaª
Irmã do Deserto
(Venho invadir)
Irmã do Deserto
(Para lhe evadir)
Entendimento incutido nos ossos de Gaia
Entendimento incutido nos ossos de Gaia
Cânion de granito, redes de rocha
Sua alma imaculada
Não será possuída ou apropriada
Acabada
Quando a esperança estiver quase acabada
Você sabe, é hora de nos mantermos
Firmes —
Cada garota em cada banda
Cada caubói cósmico desta nação
À Terra, você demonstrará compaixão?
Se o vento estiver a nosso favor
Temos chance de sobreviver
Caso a Milícia da Mente
Arme-se contra os daltônicos do clima
Irmã do Deserto
(Venho invadir)
Irmã do Deserto
(Para lhe evadir)
Se o vento estiver a nosso favor
* A expressão "Up The Creek (Without a Paddle)" é usada para indicar que se está numa posição difícil. Para incorporar o elemento natural, já que a palavra "Creek" significa "Afluente", decidiu-se por traduzir como postado. Outro ponto interessante é que Creek denomina uma nação de indígenas norteamericanos, da qual falamos na nota seguinte.
** "Good Lord willin' and the Creek Don't Rise" é um ditado cotidiano que foi aqui traduzido em seu sentido comum. A expressão no entanto tem origem histórica: o agente norteamericano ligado aos povos indígenas do sudeste, Benjamin Hawkins, recebeu uma carta do então presidente Thomas Jefferson, solicitando que voltasse imediatamente a Washington DC para discutir a situação daqueles povos. Episódios violentos haviam ocorrido entre os posseiros brancos (Crackers) e os Creek, que ocupavam a área. O governo federal pressionava a Confederação Creek a ceder parte de suas terras, para evitar novos conflitos com os posseiros que tentavam invadi-las. Hawkins o respondeu dizendo: "Good Lord willing and the Creek don't rise (se for a vontade de Deus e os Creek não insurgirem)", querendo dizer que voltaria a Washington caso os Creek deixassem (fonte: People Of One Fire ~ Indicado por Karl Lund, do grupo Tori Amos & Fans). Um fato curioso é que recentemente nos EUA a tribo Standing Rock Sioux passou por situação parecida, uma vez que o governo queria construir um oleoduto nas terras deste povo.
ª Decidimos traduzir "Climate Blind" como "Daltônicos do Clima", e não "Cegos do Clima", pois desconfiamos que Tori fez um trocadilho com o termo "Colorblind", usado para designar daltônicos em inglês.
Desde quarta à noite a canção Up The Creek circula entre os fãs, e hoje (11/08) finalmente foi lançada em todas as plataformas digitais. Traduzi-la deu um pouco de trabalho por ser uma canção com expressões idiomáticas; fiz o possível para adaptá-la à nossa realidade, no entanto vale a pena ler as notas inclusas. Além de explicar alguns versos, há nelas referências históricas que ambientam ainda melhor a temática. Finalmente, para ouvi-la no Spotify, clique AQUI. Ao fim da publicação está incluído o link do Youtube.
Up The Creek (Corredeira Acima*)
[Leia a original AQUI]
Se o vento estiver a nosso favor**
Se o vento estiver a nosso favor
Temos chance de sobreviver
Caso a Milícia da Mente
Arme-se contra os daltônicos do climaª
Irmã do Deserto
(Venho invadir)
Irmã do Deserto
(Para lhe evadir)
Entendimento incutido nos ossos de Gaia
Entendimento incutido nos ossos de Gaia
Cânion de granito, redes de rocha
Sua alma imaculada
Não será possuída ou apropriada
Acabada
Quando a esperança estiver quase acabada
Você sabe, é hora de nos mantermos
Firmes —
Cada garota em cada banda
Cada caubói cósmico desta nação
À Terra, você demonstrará compaixão?
Se o vento estiver a nosso favor
Temos chance de sobreviver
Caso a Milícia da Mente
Arme-se contra os daltônicos do clima
Irmã do Deserto
(Venho invadir)
Irmã do Deserto
(Para lhe evadir)
Se o vento estiver a nosso favor
* A expressão "Up The Creek (Without a Paddle)" é usada para indicar que se está numa posição difícil. Para incorporar o elemento natural, já que a palavra "Creek" significa "Afluente", decidiu-se por traduzir como postado. Outro ponto interessante é que Creek denomina uma nação de indígenas norteamericanos, da qual falamos na nota seguinte.
** "Good Lord willin' and the Creek Don't Rise" é um ditado cotidiano que foi aqui traduzido em seu sentido comum. A expressão no entanto tem origem histórica: o agente norteamericano ligado aos povos indígenas do sudeste, Benjamin Hawkins, recebeu uma carta do então presidente Thomas Jefferson, solicitando que voltasse imediatamente a Washington DC para discutir a situação daqueles povos. Episódios violentos haviam ocorrido entre os posseiros brancos (Crackers) e os Creek, que ocupavam a área. O governo federal pressionava a Confederação Creek a ceder parte de suas terras, para evitar novos conflitos com os posseiros que tentavam invadi-las. Hawkins o respondeu dizendo: "Good Lord willing and the Creek don't rise (se for a vontade de Deus e os Creek não insurgirem)", querendo dizer que voltaria a Washington caso os Creek deixassem (fonte: People Of One Fire ~ Indicado por Karl Lund, do grupo Tori Amos & Fans). Um fato curioso é que recentemente nos EUA a tribo Standing Rock Sioux passou por situação parecida, uma vez que o governo queria construir um oleoduto nas terras deste povo.
ª Decidimos traduzir "Climate Blind" como "Daltônicos do Clima", e não "Cegos do Clima", pois desconfiamos que Tori fez um trocadilho com o termo "Colorblind", usado para designar daltônicos em inglês.
domingo, 30 de julho de 2017
[Tradução] Letra oficial de Cloud Riders + trechos de outras canções
Olá, toriphiles!
Ontem o Toriphoria / Yessaid divulgou a letra completa de Cloud Riders, além de pequenos trechos de outras músicas do Native Invader. Pelo pouco que sabemos, o disco tratará bastante da divisão do indivíduo e suas implicações na sociedade. Confira a seguir a tradução completa do primeiro single, bem como dos versos já divulgados.
Cloud Riders (Cavaleiros das Nuvens)
[Leia a original AQUI]
De pé na beira do precipício
Nunca pensei que seria assim
Uma calmaria mortal antes da tempestade
Nenhum som de seus motores
(Do outro lado)
Vi uma estrela cadente às 4:22 da manhã
Um disparo em aviso dos demônios do ritmo
Ou dos pregadores de guitarra
Fui tocada por ambos,
E pelo Espírito Santo
(Do outro lado)
Vi uma estrela cadente às 4:22 da manhã
Debaixo de todas essas estrelas,
Eu disse, “Não, pare!
Não vou desistir de nós”
E não estou indo a lugar algum
Annie*, pegue seu baixo elétrico
Ajude-me a invocar a Lua de Outubro
Você então brada, “Corra por abrigo!”
Eu grito, “Acelere a Triumph**!”
Você diz, “baby, já é tarde demais
Dos Cavaleiros das Nuvens não há escapatória”
Querido, para que esse cobertor?
Saindo desta tempestade —
Nós iremos sair desta tempestade
Entalhei um sigilo invertidoª
Às nove portas para descobrir
Os segredos das Árvores
Certa vez já as ouvi cantando
(Do outro lado)
No passado, os Deuses do Trovão
Costumavam lançar ao vento nossa sorte
Mas então perdi contato
Perto de quando a carruagem dela
(Do outro lado)
Uma carruagem levada por gatos
Ronronando, “nós retornaremos”
Do outro lado
“Garota, já é tempo de pegar sua vida de volta”
* "Annie" deve ser a poeta norteamericana Annie Finch, escritora de um poema chamado October Moon (veja verso seguinte).
** "Triumph" é uma marca de motocicletas.
ª "Stave against the grain", traduzido como "sigilo invertido", trata-se de uma referência à magia medieval europeia. Pode referir-se também à cosmologia nórdica, o que vem a calhar com outras imagens da canção: a carruagem levada por gatos é uma alusão a Freyja, e as nove portas podem representar os nove mundos da Yggdrasil, grande árvore que os conecta. Obrigado, Netto Sousa, pelas informações.
Versos traduzidos de outras canções
[Leia os originais AQUI]
Wings — “Garotos crescidos precisam chorar”
Broken Arrow — “Melodias (songlines) ancestrais cantam para despertar a Dama Liberdade”
Breakaway — “O intuito deles: dividir até não haver lados para tomar”
Wildwood — “Ela disse, ‘a única maneira de mudar nosso destino é fazendo chover’”
Chocolate Song — “Chocolate delicioso e acetinado”
Climb — “O templo da alma terá de curar a carne”
Bats — “Os Entes Queridos estão aqui comigo”
Benjamin — “Esses cafetões em Washington estão negociando o estupro da América”
Mary’s Eyes — “Hinos presos na memória dela”
Ontem o Toriphoria / Yessaid divulgou a letra completa de Cloud Riders, além de pequenos trechos de outras músicas do Native Invader. Pelo pouco que sabemos, o disco tratará bastante da divisão do indivíduo e suas implicações na sociedade. Confira a seguir a tradução completa do primeiro single, bem como dos versos já divulgados.
Cloud Riders (Cavaleiros das Nuvens)
[Leia a original AQUI]
De pé na beira do precipício
Nunca pensei que seria assim
Uma calmaria mortal antes da tempestade
Nenhum som de seus motores
(Do outro lado)
Vi uma estrela cadente às 4:22 da manhã
Um disparo em aviso dos demônios do ritmo
Ou dos pregadores de guitarra
Fui tocada por ambos,
E pelo Espírito Santo
(Do outro lado)
Vi uma estrela cadente às 4:22 da manhã
Debaixo de todas essas estrelas,
Eu disse, “Não, pare!
Não vou desistir de nós”
E não estou indo a lugar algum
Annie*, pegue seu baixo elétrico
Ajude-me a invocar a Lua de Outubro
Você então brada, “Corra por abrigo!”
Eu grito, “Acelere a Triumph**!”
Você diz, “baby, já é tarde demais
Dos Cavaleiros das Nuvens não há escapatória”
Querido, para que esse cobertor?
Saindo desta tempestade —
Nós iremos sair desta tempestade
Entalhei um sigilo invertidoª
Às nove portas para descobrir
Os segredos das Árvores
Certa vez já as ouvi cantando
(Do outro lado)
No passado, os Deuses do Trovão
Costumavam lançar ao vento nossa sorte
Mas então perdi contato
Perto de quando a carruagem dela
(Do outro lado)
Uma carruagem levada por gatos
Ronronando, “nós retornaremos”
Do outro lado
“Garota, já é tempo de pegar sua vida de volta”
* "Annie" deve ser a poeta norteamericana Annie Finch, escritora de um poema chamado October Moon (veja verso seguinte).
** "Triumph" é uma marca de motocicletas.
ª "Stave against the grain", traduzido como "sigilo invertido", trata-se de uma referência à magia medieval europeia. Pode referir-se também à cosmologia nórdica, o que vem a calhar com outras imagens da canção: a carruagem levada por gatos é uma alusão a Freyja, e as nove portas podem representar os nove mundos da Yggdrasil, grande árvore que os conecta. Obrigado, Netto Sousa, pelas informações.
Versos traduzidos de outras canções
[Leia os originais AQUI]
Wings — “Garotos crescidos precisam chorar”
Broken Arrow — “Melodias (songlines) ancestrais cantam para despertar a Dama Liberdade”
Breakaway — “O intuito deles: dividir até não haver lados para tomar”
Wildwood — “Ela disse, ‘a única maneira de mudar nosso destino é fazendo chover’”
Chocolate Song — “Chocolate delicioso e acetinado”
Climb — “O templo da alma terá de curar a carne”
Bats — “Os Entes Queridos estão aqui comigo”
Benjamin — “Esses cafetões em Washington estão negociando o estupro da América”
Mary’s Eyes — “Hinos presos na memória dela”
sábado, 29 de julho de 2017
[Tradução] Press Release de Native Invader
Sempre que vai lançar um novo disco, Tori emite por meio de sua gravadora um comunicado de imprensa em que elucida algumas das inspirações e temáticas do trabalho. A Decca Records publicou no dia 27 de julho o comunicado do Native Invader (que consta parcialmente num e-mail enviado pela Newsletter de Tori), e você pode lê-lo completo e traduzido aqui. Para ler o original em inglês, clique AQUI.
Decca Records Press Release
(27 de julho, 2017)
Uma das artistas mais bem sucedidas, prolíficas e influentes de sua geração, Tori Amos debutou “Cloud Riders”, a primeira faixa de seu novo e esperado álbum Native Invader — a ser lançado pela Decca Records em 08 de setembro.
Tori revela a inspiração por trás de “Cloud Riders”
“Antes da Tempestade, às 4:22h da manhã,
Eu vi uma estrela cadente”
Amos diz, “Algumas Tempestades são eletrizantes, mas outras são mortais. Mudam vidas. Umas cessam sozinhas, outras não. Conflitos podem funcionar assim. Você não sabe como acabará quando está passando por isso, e se há algo que aprendi é que quando os Cavaleiros das Nuvens estão chegando, não dá para ultrapassá-los”.
Native Invader, 15º álbum de Amos, é um intenso banquete de melodia, protesto, ternura e dor. No verão de 2016, ela realizou uma road trip pelas Smoky Mountains, da Carolina do Norte. A intenção foi se reconectar com histórias e trilhas de canção (songlines) de sua família materna, original desse estado e da Smoky Mountain area no Tennessee. Naquele inverno, dois eventos sísmicos tiraram a terra do eixo: o resultado das eleições norteamericanas; e, em janeiro, Mary Ellen Amos, sua mãe, sofreu um severo AVC deixando-a incapaz de falar.
A complexa influência dos Super PACs da direita alternativa dos EUA, lobistas e Think Tanks alimenta muita da tensão em Native Invader. “Não ia ser um disco de dor, sangue e ossos quando o comecei”, disse. “Não ia ser um disco de divisão. Mas as 9 Musas insistiram que ouvisse e observasse os conflitos que estavam traumatizando a nação e escrevesse canções sobre essas emoções tão cruas. Espero que as pessoas encontrem força e resiliência nas músicas, a fim de conseguir a energia para sobreviver às tempestades pelas quais estamos passando”. Um senso de distorção semântica permeia Native Invader. Amos discute a necessidade de formar uma “milícia da mente” em face às mentiras nacionais. Mensagens ocultas e protestos subliminares prestam-se com perfeição à natureza brincalhona de Amos. Por todos seus temas densos, este álbum é bastante convidativo, repleto de calor humano e enigmas.
Mais de duas décadas após o lançamento de seu debut de estúdio, Little Earthquakes — recentemente aclamado pela NPR como o 27º dentre os 150 melhores discos já feitos por mulheres — o trabalho de Tori continua poderoso. Sua extensa turnê mundial começa em 06 de setembro na Irlanda e inclui apresentações no Royal Albert Hall em 04 de outubro, Palace Theatre de Manchester no dia 05 e O2 Academy de Glasgow no dia 06.
Seguindo Unrepentant Geraldines (2014) — seu oitavo disco a entrar no Top 10 da Billboard 200 — Native Invader é seu 15º álbum de estúdio e será disponibilizado em vários formatos físicos e digitais, bem como em vinil algum tempo depois. A embalagem do CD físico estará disponível em versões simples e deluxe, sendo a última num formato capa dura e com duas faixas bônus.
Pioneira em múltiplas plataformas, Tori foi a primeira grande artista de gravadora a oferecer um single para download. Indicada a diversos Grammy Awards, ela teve suas canções transformadas em romances gráficos e produziu vídeos inovadores durante toda sua carreira. No fim de 2016 lançou “Flicker”, canção-tema do aclamado documentário da Netflix Audrie and Daisy, o qual discute estupro, assédio sexual e moral em ambientes escolares. Notável humanitária, Tori é co-fundadora do RAINN, a maior organização anti-abuso sexual dos Estados Unidos.
FONTE: Toriphoria / yessaid.com (Thank you!)
Decca Records Press Release
(27 de julho, 2017)
Uma das artistas mais bem sucedidas, prolíficas e influentes de sua geração, Tori Amos debutou “Cloud Riders”, a primeira faixa de seu novo e esperado álbum Native Invader — a ser lançado pela Decca Records em 08 de setembro.
Tori revela a inspiração por trás de “Cloud Riders”
“Antes da Tempestade, às 4:22h da manhã,
Eu vi uma estrela cadente”
Amos diz, “Algumas Tempestades são eletrizantes, mas outras são mortais. Mudam vidas. Umas cessam sozinhas, outras não. Conflitos podem funcionar assim. Você não sabe como acabará quando está passando por isso, e se há algo que aprendi é que quando os Cavaleiros das Nuvens estão chegando, não dá para ultrapassá-los”.
Native Invader, 15º álbum de Amos, é um intenso banquete de melodia, protesto, ternura e dor. No verão de 2016, ela realizou uma road trip pelas Smoky Mountains, da Carolina do Norte. A intenção foi se reconectar com histórias e trilhas de canção (songlines) de sua família materna, original desse estado e da Smoky Mountain area no Tennessee. Naquele inverno, dois eventos sísmicos tiraram a terra do eixo: o resultado das eleições norteamericanas; e, em janeiro, Mary Ellen Amos, sua mãe, sofreu um severo AVC deixando-a incapaz de falar.
A complexa influência dos Super PACs da direita alternativa dos EUA, lobistas e Think Tanks alimenta muita da tensão em Native Invader. “Não ia ser um disco de dor, sangue e ossos quando o comecei”, disse. “Não ia ser um disco de divisão. Mas as 9 Musas insistiram que ouvisse e observasse os conflitos que estavam traumatizando a nação e escrevesse canções sobre essas emoções tão cruas. Espero que as pessoas encontrem força e resiliência nas músicas, a fim de conseguir a energia para sobreviver às tempestades pelas quais estamos passando”. Um senso de distorção semântica permeia Native Invader. Amos discute a necessidade de formar uma “milícia da mente” em face às mentiras nacionais. Mensagens ocultas e protestos subliminares prestam-se com perfeição à natureza brincalhona de Amos. Por todos seus temas densos, este álbum é bastante convidativo, repleto de calor humano e enigmas.
Mais de duas décadas após o lançamento de seu debut de estúdio, Little Earthquakes — recentemente aclamado pela NPR como o 27º dentre os 150 melhores discos já feitos por mulheres — o trabalho de Tori continua poderoso. Sua extensa turnê mundial começa em 06 de setembro na Irlanda e inclui apresentações no Royal Albert Hall em 04 de outubro, Palace Theatre de Manchester no dia 05 e O2 Academy de Glasgow no dia 06.
Seguindo Unrepentant Geraldines (2014) — seu oitavo disco a entrar no Top 10 da Billboard 200 — Native Invader é seu 15º álbum de estúdio e será disponibilizado em vários formatos físicos e digitais, bem como em vinil algum tempo depois. A embalagem do CD físico estará disponível em versões simples e deluxe, sendo a última num formato capa dura e com duas faixas bônus.
Pioneira em múltiplas plataformas, Tori foi a primeira grande artista de gravadora a oferecer um single para download. Indicada a diversos Grammy Awards, ela teve suas canções transformadas em romances gráficos e produziu vídeos inovadores durante toda sua carreira. No fim de 2016 lançou “Flicker”, canção-tema do aclamado documentário da Netflix Audrie and Daisy, o qual discute estupro, assédio sexual e moral em ambientes escolares. Notável humanitária, Tori é co-fundadora do RAINN, a maior organização anti-abuso sexual dos Estados Unidos.
FONTE: Toriphoria / yessaid.com (Thank you!)
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