Tori concluiu sua breve passagem pelo continente africano hoje, com o segundo show na Cidade do Cabo. Como agora a pianista está de malas arrumadas para os EUA, ela até postou uma foto em suas redes sociais comemorando o retorno a seu país, a qual você vê abaixo. Mas voltando ao concerto, as novidades ficaram por conta de duas belas estreias: Pandora's Aquarium e Black Dove (January), além de um inusitado cover para a canção The Lion Sleeps Tonight, integrante da trilha sonora de "O Rei Leão" (ouça - e a reconheça - AQUI). Esta música em sua versão original se chama Mbube, e é cantada por Solomon Linda.
Outros destaques do set ficaram por conta de Apollo's Frock, Twinkle, Purple People e In The Springtime of His Voodoo; a lista completa foi obtida via The Afterglow (thank you so much!), e quando saírem vídeos postaremos aqui ou no facebook.
01. Parasol
02. Pancake
03. Baker Baker
04. Apollo's Frock
05. Pandora's Aquarium
06. Siren
07. Josephine
08. Liquid Diamonds
09. Selkie
10. Someone Saved My Life Tonight (Elton John cover)
11. The Lion Sleeps Tonight (Solomon Linda cover)
12. Black Dove (January)
13. Little Earthquakes
14. Purple People
15. Winter
16. In The Springtime of His Voodoo
Encore:
17. Cornflake Girl
18. Trouble’s Lament
19. Twinkle
20. Hey Jupiter
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Unrepentant Geraldines Tour: Setlist da Cidade do Cabo, África do Sul (29/06/14 - 1º show)
O primeiro de dois shows na Cidade do Cabo aconteceu hoje, e nele finalmente a promessa feita a Boy George no Twitter se cumpriu: ela fez um cover de "Do You Really Want To Hurt Me", do cantor. Outro fato curioso é que Tori parece ter mesmo gostado de tocar In Your Room de Depeche Mode, tanto que a música tem sido recorrente em seus setlists desde então. Além dessas canções, houve espaço para Another Girl's Paradise, Oysters, Cloud On My Tongue e Wild Way; a lista completa foi retirada do facebook de Tori, assim como a imagem que ilustra a publicação.
Logo abaixo, você pode ouvir um trecho em áudio do cover de Boy George, retirado da comunidade The Afterglow (thank you!).
01. Parasol
02. The Power of Orange Knickers
03. Putting The Damage On
04. Another Girl's Paradise
05. Silent All These Years
06. Merman
07. Oysters
08. Past The Mission
09. The Rose (Bette Midler cover)
10. Do You Really Want To Hurt Me/You Spin Me Round (Boy George/Dead or Alive covers)
11. Cloud On My Tongue
12. Roosterspur Bridge
13. Cooling
14. Blood Roses
15. Cornflake Girl
Encore:
16. Wild Way
17. Wedding Day
18. In Your Room (Depeche Mode cover)
19. Pretty Good Year
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Unrepentant Geraldines Tour: Setlist de Joanesburgo, África do Sul (27/06/14 - 2º show)


Fazendo o segundo show africano da tour, Tori voltou a tocar Suede, Three Babies, Invisible Boy e Ribbons Undone. A novidade do dia, no entanto, ficou por conta de uma imagem postada por Amos em apoio às diversas paradas da diversidade, que estão acontecendo durante o mês de junho pelo mundo! Tori postou em seu Twitter: "Showing some love for Gay Pride this weekend. #gaypride #LGBT #nycpride #sfpride #LondonPride #seattlepride #TCPride". A foto está logo abaixo, e a lista de músicas foi obtida via @Undented (thank you!).
01. Parasol
02. Caught a Lite Sneeze
03. Crucify
04. Sister Janet
05. Virginia
06. Suede
07. Carbon
08. Weatherman
09. Spark
10. Three Babies (Sinead O'Connor cover)
11. Cat's In The Cradle (Harry Chapin cover)
12. Mother
13. Playboy Mommy
14. Invisible Boy
15. Secret Spell
16. Ribbons Undone
17. Cornflake Girl
Encore:
18. Take to the Sky/Datura
19. 16 Shades of Blue
20. Concertina
21. Northern Lad
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Unrepentant Geraldines Tour: Setlist de Joanesburgo, África do Sul (26/06/14 - 1º show)
Estreando sua tour em terras sulafricanas, Tori fez mais um setlist rico e diverso, com grandes surpresas na seção de covers, o Lizard Lounge. Além de tocar Real Men, uma das versões mais queridas pelos fãs, ela apresentou a poderosa Purple Rain, música original de Prince. Outros destaques ficaram por conta de Take Me With You, Oysters, Precious Things, e a estreia de Jamaica Inn. O setlist completo foi obtido via The Afterglow (thank you!), e quando saírem vídeos postaremos aqui ou na página do facebook.
01. Parasol
02. Bouncing Off Clouds
03. Cloud On My Tongue
04. Take Me With You
05. God/Running Up That Hill/Tubular Bells
06. Father Lucifer
07. Wild Way
08. Jamaica Inn
09. Cooling
10. Real Men (Joe Jackson cover)
11. Purple Rain (Prince cover)
12. A Sorta Fairytale
13. Liquid Diamonds
14. Oysters
15. Little Amsterdam
16. Little Earthquakes
17. Precious Things
Encore:
18. Cornflake Girl
19. Sugar
20. Wedding Day
21. 1000 Oceans
Foto do Soundcheck:
terça-feira, 24 de junho de 2014
Desvendando "Boys for Pele" (Parte II)
É com muita alegria que postamos aqui a segunda e última parte do texto "Desvendando Boys For Pele", escrito por Ailton Palaria. O retorno em comentários e visualizações no blog foi notável, e só temos a agradecer por tudo isso. Devo um agradecimento também ao próprio Ailton, que compartilhou de forma tão singular suas ideias acerca do disco... Muito obrigado, de coração.
Nessa metade final, vemos Tori tornar-se um pouco menos emocional e mais racional na forma como aborda seu rompimento, alcançando uma cura para as feridas que ainda estavam abertas em seu espírito. Se primeiro ela tenta conter sua raiva em Little Amsterdam, a "personagem" da história desenvolve empatia pelo seu então desafeto, e percebe finalmente que o que buscava lá fora deveria ser encontrado dentro de si, na união final de suas partes separadas. Enfim, que continue a jornada!
Nota: para ler a parte I, fica aqui o link
Nessa metade final, vemos Tori tornar-se um pouco menos emocional e mais racional na forma como aborda seu rompimento, alcançando uma cura para as feridas que ainda estavam abertas em seu espírito. Se primeiro ela tenta conter sua raiva em Little Amsterdam, a "personagem" da história desenvolve empatia pelo seu então desafeto, e percebe finalmente que o que buscava lá fora deveria ser encontrado dentro de si, na união final de suas partes separadas. Enfim, que continue a jornada!
Nota: para ler a parte I, fica aqui o link
DESVENDANDO "BOYS FOR PELE"
Parte II
Por Ailton Palaria
Depois de morrer emocionalmente e chegar ao fundo do poço em Way Down, Tori precisa reagir e dessa vez não somente com seu mundo interior e com suas emoções, mas com a consciência, com a razão. É trabalhando com as dicotomias: Inconsciente X Consciente e Emoção X Razão que ela poderá seguir em frente rumo ao perdão e à paz interior.
A jornada dessa guerra agora toma um rumo prático. É hora de agir...
Em Little Amsterdam Tori dá voz à sua raiva consciente. Ela se encontra naquele momento em que a impulsividade sussurra no seu ouvido: “Sim, faça isso! Vá lá, deixe a razão de lado, faça o que tenha de ser feito: mate-o, elimine este homem da sua vida. Ele é a besta do seu Apocalipse!”
Don’t take me back to the Range, back to the Range
I’m just comin’ out of the cell in my brain
Don’t take me back to the Range, back to the Range
Cause girl you’ve got to know these days
Which side you’re on
“Pois você está lidando com o inconsciente, bem como com a consciência a todo o momento. A grande ideia que começou a vir pra mim em Amsterdam foi... Quer dizer, deixe lhe dizer, eram apenas visitas de Sylvia Plath, enquanto cantava 'Don't take me back to the range.'... O conflito por saber que eu poderia matá-lo, por saber que ele deveria ser morto, por saber que eu ficaria bem com tudo isso, mas, mãe, aquela bala não era minha. E estou pagando por isso. Sou fascinada por fronteiras". [Really Deep Thoughts - #10, Summer 1996]
Mas a razão acaba falando mais alto: “Sei que não existe nada pior do que a sensação de perder aquilo que você achou que teria para a vida inteira. Lidar com perdas, a maior deficiência do Ocidente. Mas dance conforme a Dança da Vida, tenha jogo de cintura, pois você o perdeu, e caso consiga se transformar em uma grande dançarina, talvez ganhe algo com tudo isso”.
Say goodbye now my baby, gotta go
Say goodbye my baby to the Old World
(…)
Talula, Talula
I don’t want to lose him
He must be worth losing
If it is worth something
"A perda de Eric na minha vida foi... parecia que metade de mim tinha saído pela porta. E Talula veio como uma canção de ninar. Minha pequena dança que faria quando as coisas ficassem muito tristes. Pois comecei a pensar, 'Deus, eu tenho esses sentimentos, isso quer dizer...'. Nós compartilhamos tantos momentos que valorizo, realmente dei valor a isso, então, que presente poder sentir essa perda, que não estou tão entorpecida, que não me matei tanto assim, e uma vez que consegui sentir a perda, então comecei a me sentir livre. Eu quero dançar e dizer, 'Sim, quero estar com Talula.' Quero ser capaz de dançar com as pessoas que entram e saem de sua vida. Quero aprender a dançar com as dádivas quando elas vêm e quando elas precisam tomar um caminho diferente." [B-Side – May/June 1996]
A poeira começa a assentar, a razão toma as rédeas novamente e certos questionamentos começam a surgir na mente de Tori: “Quantos homens também já sofreram por mim? Na verdade, quantos homens eu já fiz sofrer? Quantos homens perderam o sentido de viver, porque a mulher amada se foi e só lhes sobraram como lembranças suas belas fitas de cabelo vermelhas?”. Num relacionamento amoroso não há vilões, heróis, culpados ou inocentes. Os dois corações envolvidos respondem por uma parcela nessa relação. Eis aí o beijo da compaixão...
Not the Red Baron I’m sure
Not Charlie’s wonderful dog
Not anyone I really know
Just another pilot down
Maybe I’ll just sing him a last little sound
Many there know some girls with red ribbons
The prettiest
Red
Ribbons
"Então, naturalmente, caminhamos para outro momento no álbum. Not The Red Baron é o momento de compaixão por todos os homens no álbum. É onde consigo ver seus aviões caindo, percebi que eles também tinham um ponto de vista. E se seus aviões iriam cair, comecei a sentir compaixão pelo ponto de vista deles." [B-Side – May/June 1996]
A situação começa a se transformar. Os sentimentos ainda estão feridos, a guerra ainda não terminou, mas certas necessidades não deixam de existir. Até mesmo durante o embate mais terrível, o corpo precisa suprir suas necessidades. Tori percebe que, de fato, a carne é fraca e às vezes é preciso deixar alguém (Mark Hawley, talvez), quem sabe até um soldado da máscula tropa inimiga, mergulhar nas águas do território feminino:
He’s my favorite
And they don’t understand
He’s got palm oil fans
Yes, he’s down and there
And everywhere
He’s got an A to Z
An underwater city
Where he swims
And swims
"Ao passo que o álbum continua - e continua, e continua, e continua [Risos] - a vulnerabilidade começa a chegar. Então você começa a dormir com um dos tenentes do lado inimigo, pois você acabou caindo num vilarejo rural e você acaba se esquecendo que estão em lados opostos. [...] Essa música, Agent Orange, é o momento de uma hora de cabaré, onde você toma duas doses de Amarettos com gelo, e existe somente tristeza. Mas sabe aquela tristeza quando você sabe que seu relacionamento acabou, mas ainda está viva? Você sabe que não está morta. Você está inteira. Você é tudo o que existe. Você tem um encontro. Ele tem um novo amor. [Longa pausa sonhadora.] E você segue fundo nisso." [Musician – May 1996]
Então Eric Rosse envia uma mensagem e rapidamente Tori quer tirar satisfação e descobrir o porquê do contato. “Será que ele está pensando em mim? Será que ele me quer de volta?”. Não, ele queria apenas saber como ela estava, somente isso. Não tem como tirar sustento para sua alma de algo que já não existe mais:
Had me a trick and a kick and your message
You’ll never gain weight from a doughnut hole
Then thought that I could decipher your message
There’s no one here dear
No one at all
Ele já está seguindo em frente. Não está mais preso ao passado. Ele já tem outro satélite em sua órbita. E não existe coisa pior que saber que o amor da sua vida já virou a página, já tem um novo amor e não sofreu tanto quanto você:
You told me last night
You were a sun now
With your very own devoted satellite
Happy for you
And I am sure that I hate you
Inconformada, Tori quer tirar a prova dos nove. Quer ter certeza que ele não a quer mais. Não é possível que ele a tenha esquecido tão rápido depois de tantas promessas, tantas juras de amor, tantos planos, depois de quase oito anos... Certa vez, ele tinha prometido mostrar a ela seu jardim secreto, suas flores, sua primavera. Tori decide usar sua cartada final e tenta seduzi-lo novamente:
In the Springtime of his voodoo
He was going to show me spring
And right there for a minute
I knew you so well
And right there for a minute
I knew you so well
Got an angry snatch
Girls you know what I mean
When swivelin’ that hip doesn’t do the trick
(...) A chave para mim aqui é que ele iria me mostrar a primavera. Iria me mostrar... E muito da minha vida tem a ver com o "iria". [B-Side – May/June 1996]
A guerra chega ao fim com Putting The Damage On. Esta canção é o lado oposto da lua, é o lado oposto de Hey Jupiter. Em Hey Jupiter, vemos uma tristeza completamente diferente, Tori estava depressiva, amargurada e ainda tinha esperança de ter seu homem de volta. Em Putting The Damage On, Tori começa a olhar o homem que causou tanta dor em sua alma pelo o que de fato ele é. Depois de tudo, só lhe resta ser objetiva. Claro que a dor ainda existe, mas agora ele é só um fantasma em sua vida. Ele morreu e não fará mais parte da sua história dali em diante, e também é hora de Tori seguir em frente... Ainda machucada, cheia de cicatrizes, mas ciente que a felicidade não está na mão dos outros, está na busca da sua própria completude:
I’m trying not to move
It’s just your ghost
Passing through
I said
I’m trying not to move
It’s just your ghost passing through
It’s just your ghost
Passing through
“E é assim que finalmente entendi, 'Oh meu Deus, essa é a única maneira que poderei escrever isso, se começar a ver como ele é bonito. Depois de tudo o que aconteceu, ele é bonito. Ele ainda é bonito, mesmo depois, não importa o que ele fez.' Agora, isso pode dizer muito sobre mim, ou muito sobre ele." [WHFS Just Passin' Through - February 12, 1996]
Depois de perdoá-lo e conseguir encontrar certa tranqüilidade, Tori olha para dentro de si mesma, percebe que essa grande perda a tornou mais forte, mais dura na queda. E é olhando para o céu estrelado que a esperança retorna; que a centelha adormecida na sua alma reacende e ela começa a sentir o fogo sagrado da sua alma queimar novamente. A ferida começa a cicatrizar e ela se sente curada:
Sure that star can twinkle
And you’re watching it do
Boy so hard boy so hard
But I know a girl
Twice as hard
And I’m sure
Said I’m sure she’s watching it, too
Said no matter what tie she’s got in her right dresser
Tied
I know she’s watching that star
Gonna twinkle
Gonna twinkle
Gonna twinkle
"No entanto, o álbum não está terminado até Twinkle; ele não estava concluído até essa música. Aquele nível da chama, alimentar a chama, porque depois de todas as estrelas, há o fogo, tinha que ir até àquele lugar e transformar-me nele, em vez de tentar encontrá-lo novamente." [B-Side – May/June 1996]
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Apesar dos versos criptografados, podemos concluir que Boys For Pele tem uma narrativa cronológica, cíclica, fechada. Tori Amos conta como foi o seu processo de autoconhecimento em busca, principalmente, da sua masculinidade perdida e da cura da sua feminilidade ferida. O âmago do álbum consiste em narrar o caminho trilhado por Tori até conseguir o que almejava: encontrar o sagrado masculino dentro dela, projeção outrora lançada nos homens da sua vida, pois somente assim ela deixaria de colocar na mão dos outros sua própria felicidade, e despertar em si mesma a chama que faz seu lado feminino vibrar.
Esse é o enigma e o segredo do álbum: como podemos fazer o feminino e masculino dançarem uma bela valsa dentro de nós mesmos? Tori quer nos alertar que não devemos nos automutilar emocionalmente e/ou psicologicamente. Somos um todo, um ser completo e só seremos felizes ao lado de alguém, quando enxergarmos nossa própria completude.
Esta parece ser a verdadeira mensagem contida nas entrelinhas de Boys For Pele.
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