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terça-feira, 24 de junho de 2014

Desvendando "Boys for Pele" (Parte II)

É com muita alegria que postamos aqui a segunda e última parte do texto "Desvendando Boys For Pele", escrito por Ailton Palaria. O retorno em comentários e visualizações no blog foi notável, e só temos a agradecer por tudo isso. Devo um agradecimento também ao próprio Ailton, que compartilhou de forma tão singular suas ideias acerca do disco... Muito obrigado, de coração.
Nessa metade final, vemos Tori tornar-se um pouco menos emocional e mais racional na forma como aborda seu rompimento, alcançando uma cura para as feridas que ainda estavam abertas em seu espírito. Se primeiro ela tenta conter sua raiva em Little Amsterdam, a "personagem" da história desenvolve empatia pelo seu então desafeto, e percebe finalmente que o que buscava lá fora deveria ser encontrado dentro de si, na união final de suas partes separadas. Enfim, que continue a jornada!

Nota: para ler a parte I, fica aqui o link




DESVENDANDO "BOYS FOR PELE"
Parte II

Por Ailton Palaria


Depois de morrer emocionalmente e chegar ao fundo do poço em Way Down, Tori precisa reagir e dessa vez não somente com seu mundo interior e com suas emoções, mas com a consciência, com a razão. É trabalhando com as dicotomias: Inconsciente X Consciente e Emoção X Razão que ela poderá seguir em frente rumo ao perdão e à paz interior.
A jornada dessa guerra agora toma um rumo prático. É hora de agir...

Em Little Amsterdam Tori dá voz à sua raiva consciente. Ela se encontra naquele momento em que a impulsividade sussurra no seu ouvido: “Sim, faça isso! Vá lá, deixe a razão de lado, faça o que tenha de ser feito: mate-o, elimine este homem da sua vida. Ele é a besta do seu Apocalipse!”

Don’t take me back to the Range, back to the Range
I’m just comin’ out of the cell in my brain
Don’t take me back to the Range, back to the Range
Cause girl you’ve got to know these days
Which side you’re on

“Pois você está lidando com o inconsciente, bem como com a consciência a todo o momento. A grande ideia que começou a vir pra mim em Amsterdam foi... Quer dizer, deixe lhe dizer, eram apenas visitas de Sylvia Plath, enquanto cantava 'Don't take me back to the range.'... O conflito por saber que eu poderia matá-lo, por saber que ele deveria ser morto, por saber que eu ficaria bem com tudo isso, mas, mãe, aquela bala não era minha. E estou pagando por isso. Sou fascinada por fronteiras". [Really Deep Thoughts - #10, Summer 1996]

Mas a razão acaba falando mais alto: “Sei que não existe nada pior do que a sensação de perder aquilo que você achou que teria para a vida inteira. Lidar com perdas, a maior deficiência do Ocidente. Mas dance conforme a Dança da Vida, tenha jogo de cintura, pois você o perdeu, e caso consiga se transformar em uma grande dançarina, talvez ganhe algo com tudo isso”.

Say goodbye now my baby, gotta go
Say goodbye my baby to the Old World
(…)
Talula, Talula
I don’t want to lose him
He must be worth losing
If it is worth something

"A perda de Eric na minha vida foi... parecia que metade de mim tinha saído pela porta. E Talula veio como uma canção de ninar. Minha pequena dança que faria quando as coisas ficassem muito tristes. Pois comecei a pensar, 'Deus, eu tenho esses sentimentos, isso quer dizer...'. Nós compartilhamos tantos momentos que valorizo​​, realmente dei valor a isso, então, que presente poder sentir essa perda, que não estou tão entorpecida, que não me matei tanto assim, e uma vez que consegui sentir a perda, então comecei a me sentir livre. Eu quero dançar e dizer, 'Sim, quero estar com Talula.' Quero ser capaz de dançar com as pessoas que entram e saem de sua vida. Quero aprender a dançar com as dádivas quando elas vêm e quando elas precisam tomar um caminho diferente." [B-Side – May/June 1996]

A poeira começa a assentar, a razão toma as rédeas novamente e certos questionamentos começam a surgir na mente de Tori: “Quantos homens também já sofreram por mim? Na verdade, quantos homens eu já fiz sofrer? Quantos homens perderam o sentido de viver, porque a mulher amada se foi e só lhes sobraram como lembranças suas belas fitas de cabelo vermelhas?”. Num relacionamento amoroso não há vilões, heróis, culpados ou inocentes. Os dois corações envolvidos respondem por uma parcela nessa relação. Eis aí o beijo da compaixão...

Not the Red Baron I’m sure
Not Charlie’s wonderful dog
Not anyone I really know
Just another pilot down
Maybe I’ll just sing him a last little sound
Many there know some girls with red ribbons
The prettiest
Red

Ribbons


"Então, naturalmente, caminhamos para outro momento no álbum. Not The Red Baron é o momento de compaixão por todos os homens no álbum. É onde consigo ver seus aviões caindo, percebi que eles também tinham um ponto de vista. E se seus aviões iriam cair, comecei a sentir compaixão pelo ponto de vista deles." [B-Side – May/June 1996]

A situação começa a se transformar. Os sentimentos ainda estão feridos, a guerra ainda não terminou, mas certas necessidades não deixam de existir. Até mesmo durante o embate mais terrível, o corpo precisa suprir suas necessidades. Tori percebe que, de fato, a carne é fraca e às vezes é preciso deixar alguém (Mark Hawley, talvez), quem sabe até um soldado da máscula tropa inimiga, mergulhar nas águas do território feminino:

He’s my favorite
And they don’t understand
He’s got palm oil fans
Yes, he’s down and there
And everywhere
He’s got an A to Z
An underwater city
Where he swims
And swims

"Ao passo que o álbum continua - e continua, e continua, e continua [Risos] - a vulnerabilidade começa a chegar. Então você começa a dormir com um dos tenentes do lado inimigo, pois você acabou caindo num vilarejo rural e você acaba se esquecendo que estão em lados opostos. [...] Essa música, Agent Orange, é o momento de uma hora de cabaré, onde você toma duas doses de Amarettos com gelo, e existe somente tristeza. Mas sabe aquela tristeza quando você sabe que seu relacionamento acabou, mas ainda está viva? Você sabe que não está morta. Você está inteira. Você é tudo o que existe. Você tem um encontro. Ele tem um novo amor. [Longa pausa sonhadora.] E você segue fundo nisso." [Musician – May 1996]

Então Eric Rosse envia uma mensagem e rapidamente Tori quer tirar satisfação e descobrir o porquê do contato. “Será que ele está pensando em mim? Será que ele me quer de volta?”. Não, ele queria apenas saber como ela estava, somente isso. Não tem como tirar sustento para sua alma de algo que já não existe mais:

Had me a trick and a kick and your message
You’ll never gain weight from a doughnut hole
Then thought that I could decipher your message
There’s no one here dear
No one at all

Ele já está seguindo em frente. Não está mais preso ao passado. Ele já tem outro satélite em sua órbita. E não existe coisa pior que saber que o amor da sua vida já virou a página, já tem um novo amor e não sofreu tanto quanto você:

You told me last night
You were a sun now
With your very own devoted satellite
Happy for you
And I am sure that I hate you

Inconformada, Tori quer tirar a prova dos nove. Quer ter certeza que ele não a quer mais. Não é possível que ele a tenha esquecido tão rápido depois de tantas promessas, tantas juras de amor, tantos planos, depois de quase oito anos... Certa vez, ele tinha prometido mostrar a ela seu jardim secreto, suas flores, sua primavera. Tori decide usar sua cartada final e tenta seduzi-lo novamente:

In the Springtime of his voodoo
He was going to show me spring

And right there for a minute
I knew you so well
And right there for a minute
I knew you so well

Got an angry snatch
Girls you know what I mean
When swivelin’ that hip doesn’t do the trick

(...) A chave para mim aqui é que ele iria me mostrar a primavera. Iria me mostrar... E muito da minha vida tem a ver com o "iria". [B-Side – May/June 1996]

A guerra chega ao fim com Putting The Damage On. Esta canção é o lado oposto da lua, é o lado oposto de Hey Jupiter. Em Hey Jupiter, vemos uma tristeza completamente diferente, Tori estava depressiva, amargurada e ainda tinha esperança de ter seu homem de volta. Em Putting The Damage On, Tori começa a olhar o homem que causou tanta dor em sua alma pelo o que de fato ele é. Depois de tudo, só lhe resta ser objetiva. Claro que a dor ainda existe, mas agora ele é só um fantasma em sua vida. Ele morreu e não fará mais parte da sua história dali em diante, e também é hora de Tori seguir em frente... Ainda machucada, cheia de cicatrizes, mas ciente que a felicidade não está na mão dos outros, está na busca da sua própria completude:

I’m trying not to move
It’s just your ghost
Passing through
I said
I’m trying not to move
It’s just your ghost passing through
It’s just your ghost
Passing through

“E é assim que finalmente entendi, 'Oh meu Deus, essa é a única maneira que poderei escrever isso, se começar a ver como ele é bonito. Depois de tudo o que aconteceu, ele é bonito. Ele ainda é bonito, mesmo depois, não importa o que ele fez.' Agora, isso pode dizer muito sobre mim, ou muito sobre ele." [WHFS Just Passin' Through - February 12, 1996]

Depois de perdoá-lo e conseguir encontrar certa tranqüilidade, Tori olha para dentro de si mesma, percebe que essa grande perda a tornou mais forte, mais dura na queda. E é olhando para o céu estrelado que a esperança retorna; que a centelha adormecida na sua alma reacende e ela começa a sentir o fogo sagrado da sua alma queimar novamente. A ferida começa a cicatrizar e ela se sente curada:

Sure that star can twinkle
And you’re watching it do
Boy so hard boy so hard
But I know a girl
Twice as hard
And I’m sure
Said I’m sure she’s watching it, too
Said no matter what tie she’s got in her right dresser
Tied
I know she’s watching that star


Gonna twinkle
Gonna twinkle
Gonna twinkle

"No entanto, o álbum não está terminado até Twinkle; ele não estava concluído até essa música. Aquele nível da chama, alimentar a chama, porque depois de todas as estrelas, há o fogo, tinha que ir até àquele lugar e transformar-me nele, em vez de tentar encontrá-lo novamente." [B-Side – May/June 1996]

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Apesar dos versos criptografados, podemos concluir que Boys For Pele tem uma narrativa cronológica, cíclica, fechada. Tori Amos conta como foi o seu processo de autoconhecimento em busca, principalmente, da sua masculinidade perdida e da cura da sua feminilidade ferida. O âmago do álbum consiste em narrar o caminho trilhado por Tori até conseguir o que almejava: encontrar o sagrado masculino dentro dela, projeção outrora lançada nos homens da sua vida, pois somente assim ela deixaria de colocar na mão dos outros sua própria felicidade, e despertar em si mesma a chama que faz seu lado feminino vibrar.
Esse é o enigma e o segredo do álbum: como podemos fazer o feminino e masculino dançarem uma bela valsa dentro de nós mesmos? Tori quer nos alertar que não devemos nos automutilar emocionalmente e/ou psicologicamente. Somos um todo, um ser completo e só seremos felizes ao lado de alguém, quando enxergarmos nossa própria completude.
Esta parece ser a verdadeira mensagem contida nas entrelinhas de Boys For Pele.




quinta-feira, 19 de junho de 2014

Desvendando "Boys for Pele" (Parte I)

Dia desses estava conversando com Ailton Palaria sobre discos de Tori, e ele me disse ter uma teoria acerca da narrativa que dirige o "Boys for Pele", considerado um dos álbuns mais "incompreensíveis" de Amos. Gostei tanto das ideias dele que começamos a desenvolvê-las um pouco mais, e pedi que escrevesse algo para ser publicado no ToriBr. Ele aceitou, e aqui está a primeira parte do texto, indo de Beauty Queen até Way Down; a segunda porção deverá ser publicada na semana que vem.
Esperamos que gostem do manuscrito e sintam ainda mais vontade de ouvir o disco, após a leitura. E eu só tenho a agradecer ao Ailton por dispor de seu tempo e coração para fazê-lo; muito obrigado! Agora, vamos desvendar o Pele...




DESVENDANDO “BOYS FOR PELE”
Parte I

Por Ailton Palaria

O terceiro álbum da cantora Tori Amos, Boys For Pele, lançado em 1996, ainda desperta muitas dúvidas, questionamentos, especulações e teorias sobre o seu real significado, se é que o álbum, de fato, tenha um real significado. É exatamente no campo do subjetivismo e do hermetismo que o álbum ergue seu palco e ali também nos apresenta toda a riqueza de sua Arte: fazer com que o ouvinte o ouça, tome posse dos seus sombrios terrenos e os transformem em seus próprios domínios.
Minha intenção com este texto, portanto, não é a de instituir um significado único para a obra, mas de apresentar minha interpretação acerca do álbum, baseado nas letras das canções e nas entrevistas que Tori concedeu durante sua divulgação.
Sabemos que o estopim do álbum é o fim do relacionamento de quase oito anos de Tori com Eric Rosse, “Meu relacionamento, que durou sete anos e meio, acabou. E foi isso que deu início a coisa toda.” Logo, o álbum narra a saga de uma mulher que se encontra em desespero com o término do relacionamento - que ela acreditava ser o amor de sua vida - e que em busca do perdão e da paz interior, precisa enfrentar o vale das sombras da sua alma e compreender a sombra do seu self.
Tori, além de querer proteger os personagens envolvidos nesta sombria história e mantê-los no anonimato, decidiu encontrar a cura através da metáfora.
Carl G. Jung afirmava que a metáfora é “o símbolo que cura”. Segundo ele, a metáfora atinge o self em três níveis: no nível mental, onde interpretamos o significado; no nível imaginário, onde reside o real poder da transformação e da mudança; e no nível emocional, unido aos sentimentos contidos na metáfora. A ação da metáfora nestes três níveis permite que o ser humano crie uma profunda ligação com sua psique.

"É um trabalho metafórico, por isso, se você usar a cabeça, vai estar em problemas. Você realmente tem que partir dos seus sentidos. É sobre o que as coisas representam mais do que a palavra significa. É associação. E se agir dessa maneira, então você estará respondendo a partir de seus instintos, e gostos, e cheiros, todo esse tipo de resposta, ao invés de analiticamente... É um álbum do coração. Se você usa seu cérebro, não vai entendê-lo. Não importa que você veja faces diferentes das que vejo. Não estou tentando lhe fazer ver sobre quem estou falando. Trata-se de uma emoção. Espero realmente que as pessoas sintam a emoção ou não terei feito meu trabalho direito." [Everybody's News (Cincinnati) - May 31, 1996]

Com isso em mente (ou na alma), podemos dar início à nossa breve viagem nos terrenos dúbios do álbum e tentar desvendar os segredos contidos na alma dessa mulher que teve o seu coração partido.
O álbum começa com Beauty Queen, onde Tori encontra-se num cenário um tanto suspeito. O que essa mulher desesperada faz numa lavanderia?

She’s a Beauty Queen
My sweet bean bag in the street
Take it
Down out to the laundry scene
Don’t know why she’s in my hand
Can’t figure what it is
But I lie, lie, lie again.

Fica óbvio, apesar de ela negar e mentir a si própria, que Tori foi comprar seu “pacote de feijões mágicos” numa lavanderia, de uma esquina de um subúrbio qualquer, pois ali foi lhe prometido o alívio instantâneo para a dor.
Tori, então, começa sua jornada e chama seus cavalos para ajudá-la:

I got me some Horses
To ride on
To ride on
They say that your demons
Can’t go there
So I got me some Horses
To ride on
To ride on
As long as your army
Keeps perfectly still.

Em inglês, horse é uma gíria utilizada para referir-se à droga heroína. Agora já sabemos o que ela comprou na tal lavanderia. Além disso, Tori utiliza um jogo de palavras bem inteligente. Ela alega que só é possível seguir em sua cavalgada, caso seu exército fique quieto. Em inglês, as palavras army e arm são praticamente homófonas, ou seja, só é possível que Tori prossiga em sua viagem, se ela ficar com o braço imóvel para poder injetar a droga.
Portanto, o início dessa jornada emocional acontece sob o efeito de drogas. Tori irá encarar, a partir de então, os demônios escondidos no seu inconsciente pessoal e coletivo.
O primeiro demônio que ela enfrenta é o estupro, cicatriz profunda na alma dessa mulher, que após ser abandonada certamente está se questionado, “O que há de errado comigo? Não sou mulher o bastante?”. E de forma mais generalizada, ela se questiona até que ponto as mulheres permitem serem vistas apenas como um objeto sexual, apenas como um pedaço de carne: "Blood Roses é sobre como, de fato, tomo ciência que estou optando que defequem sobre mim.”
Esse grande trauma é a senha de acesso para que Tori adentre no Inferno e tome um chá da tarde com Lucifer, que a recebe de braços abertos e permite que ela exponha todas as suas fraquezas, até mesmo as mais superficiais:

Everyday's my wedding day
Though baby's still in his comatose state
I'll die my own Easter eggs
(…)
Does Joe bring flowers to Marilyn's grave?
And girls that eat pizza and never gain weight
Never gain weight never gain weight.

Nestes versos Tori trata do típico sonho feminino de encontrar o homem da sua vida, o sonhado casamento e o possível filho, que não passa de míseros óvulos/ovos que ainda não puderam gerar vida nova. O sonho de ter um amor que sobreviva após sua morte. Será que ela encontrará alguém que leve flores ao seu túmulo todos os dias? E quem são essas meninas que não sofrem com sua aparência física e podem comer à vontade?
Após o bate papo com Satã, Tori se dá o direito de sentir inveja. Inveja da mulher (Courtney Love) que, mesmo sendo uma megera, uma bruxa má, Lady Macbeth em carne e osso, consegue despertar o amor verdadeiro em um homem (Kurt Cobain), capaz de fazer tudo por ela, até mesmo cometer suicídio.

"Essa é a minha canção base, minha Lady Macbeth. É o meu desejo de ser rei, de ter o que os meninos grandes têm, e abrir mão da minha feminilidade e vulnerabilidade para experimentar isso." [Diva – Feb/March 1996]

Don’t blow those brains yet / Não estoure seus miolos ainda
We gotta be big, boy / Nós temos que ser grandes, garotos
We gotta be big / Temos que ser grandes.

A partir daqui, o efeito das drogas começa a diminuir e num estalo, a mulher com cabelos ruivos e desgrenhados começa a perceber que a cura, que a guerra deve ser vencida de outra forma:

Give me peace, love and a hard cock! / Dê-me paz, amor e um pau bem duro!

Não é através da violência contra os homens que ela irá aprender a lidar melhor com eles. Não é causando mal a eles, ou os escravizando, ou os colocando sob seu feitiço maligno que ela será respeitada em sua completude. Está na hora de agir e não permitir que outro homem caia nas garras dessa megera maldita que decidiu disfarçar-se de crocodilo (Courtney Love) para poder abocanhar a zebra inocente (Billy Corgan/Trent Reznor) sedenta por um pouco de água:

"Refiro-me à 'Sra. Crocodilo' nessa canção. Às vezes, disfarço as pessoas sobre quem estou escrevendo com personagens inventados, pois assim eles nem sabem que estão nas músicas. E é assim que tem que ficar. Então, ao invés de chamá-los pelo nome real, porque eles têm certos traços [negativos]. Vou chamá-los de alguma outra coisa, como Sra. Crocodilo." [Women Who Rock - January 2004]

Que desilusão! Tori começa a se questionar se existe sinceridade, cumplicidade num relacionamento? Será que sempre existe algum interesse particular por trás do suposto Amor? Com essa desilusão em mente, Tori começa a sentir náuseas, o gosto de fel na boca e percebe que sempre tinha agido como uma criança inocente, mas a inocência morrera ali, naquele instante, assim como sua amiga Marianne:

Tuna
Rubber

A little blubber in my igloo
And I knew you pigtails and all
Girls when they fall
And they said Marianne killed herself
And I said not a chance
Not a chance…

"Marianne representa a morte da mocidade." [Baltimore Sun - January 21, 1996]

"Atum / Borracha / Um pouco de gordura no meu iglu... 'Para mim, dizer este verso de outra forma o tornaria realmente nojento e grosseiro. Às vezes, é apenas sobre como algo lhe faz sentir. Você tem que ir lá, tem que estar disposto a fazer esta viagem. E imagens, gostos, cheiros, objetos... São associações. Para mim, essas coisas são concretas. Algumas estão um pouco mais cobertas do que outras, não há dúvida sobre isso. Mas acho que do começo ao fim trata-se da jornada de uma mulher, e de fato trata-se de uma viagem emocional". [Keyboard - April 1996]

As coisas só parecem piorar, talvez um novo relacionamento possa ajudar. E numa tentativa frustrada, Tori busca em outro relacionamento - ainda com suas chagas emocionais sangrando - sua cura; mas o novo homem (Trent Reznor) não está disposto em ajudá-la. Essa guerra não é dele, ele não dá a mínima importância, ele não é homem o suficiente para carregar esse fardo com ela. E mais uma vez seu pequeno sonho de estabelecer-se emocionalmente é destruído e Tori, com o furor a todo vapor, constrói sua própria máquina de ódio*:

Caught a light sneeze
Dreamed a little dream
Made my own pretty hate machine
Boys on my left side
Boys on my right side
Boys in the middle
And you're not here
Boys in their dresses
And you're not here

"Então chegamos em Caught a Lite Sneeze e ela ainda é uma vampira, ela precisa do sangue daquele garoto. Você pode dizer que é linda, que é suficiente, mas quando você vai reivindicar isso? Você está na caça. Ele não dá a mínima pra você; ele pode até ter se preocupado com algumas partes suas, mas isso não é sobre você. Ele não quer resolver isso com você, sua carência o enoja, e você fica rondando: 'Oh não, não, não, eu tenho que tê-lo. Está lá fora, ele tem alguma coisa.' Qualquer coisa para manter isso." [B-Side – May/June 1996]

O fracasso e a tristeza são seu fado? Tori percebe como é difícil as mulheres receberem apoio e ajuda em seus momentos de fraqueza e vulnerabilidade. Elas sempre foram condenadas, apedrejadas, assassinadas e esquecidas. É hora de nos lembrarmos e louvarmos o lado feminino que também foi crucificado:

Muhammad my friend
It’s time to tell the world
We both know it was a girl back in Bethlehem

"E então, quando você tem certeza que tudo tinha a ver com os garotos, 'Nós dois sabemos que foi uma garota, lá em Belém... ' o que estou fazendo? Você começa a se lembrar do plano, começa a se lembrar que isto acontece não só porque os garotos riram de você quando você tinha 13 anos, este é um programa que começou muito tempo atrás." [B-Side – May/June 1996]

Não há mais jeito. Não há mais volta. Somente tentativas frustradas de eliminar a dor. Nem drogas, nem a raiva inconsciente, nem um novo relacionamento puderam ajudá-la. Chegou o momento de encarar o pior de todos os demônios: a Realidade. Não é momento de sentir dor. É a hora derradeira de ser a própria dor:

No one’s picking up the phone
Guess it’s me and me
And this little masochist
She’s ready to confess
All the things that I never thought
That she could feel.

"O álbum chega em Hey Jupiter... é o ponto onde ela se dá conta que está tudo acabado com essa relação em particular, ou relações, e que nunca mais vai ser o que era novamente. Nunca vai voltar. É aí que todo o álbum gira em seu eixo." [B-Side – May/June 1996]

O cortejo está pronto, o coral canta a canção para receber a alma daquela mulher que se encontra morta emocionalmente. Seja bem-vinda à Way Down, ou como preferimos chamar “O Fundo do Poço”.

The way down
The way down
He knows, let’s go
Way down
Way down
Way down
She knows


XXX


* “Pretty Hate Machine” é o título de um álbum do Nine Inch Nails, banda de Reznor. Mais uma razão para achar que ele tenha servido de "inspiração" para Caught a Lite Sneeze.

UPDATE (24/06): leia a Parte II aqui!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Flavors: Boys For Pele

Como vocês bem sabem, já começamos nossa série Flavors (recapitule aqui), e é com satisfação que agora publico o texto de Mariela Simão (facebook) sobre um dos trabalhos mais amados de Tori: Boys For Pele. Preciso admitir o quanto foi prazeroso ler o texto de Mariela, uma vez que ela nos mostra através de sua experiência que neste disco Amos não somente sentia; ela ERA o sentimento, o fogo queimando, até apagar. E reacender, sempre que precisássemos nos esquentar. Sem mais delongas, Boys For Pele.




Uma das minhas primeiras aquisições da Tori, Pele é pra mim uma dor necessária. Quando ouvi pela primeira vez em meados de 2005, gostei, mas não senti o poder que sinto hoje quando eu o escuto. Não sabia ao certo o que significava, qual a mensagem a ser passada, o porquê de seu nome. Sete anos depois eu comecei a entender e este cd se tornou o meu melhor amigo, em todos os momentos.

O disco mais forte de Tori, em minha humilde opinião, é puro fogo. É colocar a mão numa chapa quente e não tirar. É arrancar o band-aid e cutucar a ferida até começar a sangrar novamente. Algumas pessoas são obrigadas a conviver com a dor todos os dias de sua vida. A dor de ser o que é; a dor de uma ferida que não cicatriza; a dor de uma perda. O Pele me ensinou a conviver com essa dor, a fazer dela a minha melhor amiga, minha companheira de todas as horas. Aprendi que, nos momentos que me sentir fraca, cansada, impotente, rejeitada, sozinha, vazia, morta por dentro, eu teria ali 18 amigas dispostas a contar sua história para mim, para me fazer levantar e cutucar a ferida de novo, até atingir um ponto que eu não sentiria mais e não me incomodaria mais. E tenho que dizer que esses momentos foram bem recorrentes nos últimos três anos. Quantas vezes eu quis sumir e bastava apagar a luz, colocar um fone e começar as primeiras notas de Beauty Queen que meu desejo se realizava. Eu sumia, viajava para longe, e só voltava para encarar o mundo no final de Twinkle. Pura magia. Voltava disposta, com força e pronta pra outra.

Pele, acima de tudo, foi trilha sonora das minhas decepções. Com um coração partido, rejeitado, encontrei nesse cd as melhores amigas para conversar sobre isso (a carência de confiança, de interesse de amigos, pessoas próximas para me ouvir fez a minha ligação com esse cd ser muito mais forte, sim). A explosão de Blood Roses, Father Lucifer, Caught a Lite Sneeze me proporciona, sempre, a força movida a raiva para deixar para trás e esquecer. Claro, admito que me tornei muito mais amarga por isso, mas não me arrependo. Eu prefiro ter um coração de pedra que custa a abrir do que um coração mole que é estilhaçado a todo o tempo. Jupiter e Way Down me acalmam após a explosão, mas me fazem enxergar que tudo está acabado. Daí eu chego ao fundo do poço. Quem nunca chorou ao som de Jupiter, durante uma viagem, com a cabeça encostada na janela do ônibus, desejando que a chuva que cai lá fora lave a sua alma e te livre logo dessa dor? Eu já. E várias vezes. Mas a chuva não me atingia e a dor não ia embora. Então elas chegavam. Little Amsterdam, Not the Red Baron, Doughnut Song e Putting the Damage on sentavam ao meu lado, seguravam minha mão e me diziam que estava tudo acabado. Que eu não precisava lutar contra essa dor porque ela não iria sair nunca dali. Que as coisas só iriam voltar a ficar bem se eu aprendesse a dormir e acordar com essa dor, sem querer expulsá-la de mim. E assim que eu aceitava isso; Twinkle se juntava a elas e me dizia: “I can see that star when she twinkles”. Eu realmente podia. E posso.

Para mim, o Pele é assim. Ele vem para te destruir e ao mesmo tempo para fazer acender o fogo que estava apagado dentro de você. Ele não te livra da sua dor, ele simplesmente te transforma na dor, e ela passa a não te incomodar mais. Eu cresci muito com os cds da Tori, mas, sem sombra de dúvidas, o Pele foi o que mais me influenciou. E é o grande amor da minha vida.








Leonina com ascendente em aquário, variando do egocentrismo a destrutividade. Dona de uma aparência que engana muitos, pode parecer dura e forte por fora, mas tem um coração fraco e mole. 22 anos divididos entre fases doces e amargas, com muita música sempre presente. Vive as custas de amores platônicos desde os 12 anos de idade e provavelmente até o momento do último suspiro.



domingo, 23 de janeiro de 2011

Há 15 anos, we have seen fire...

Um dos álbuns mais fantásticos e experimentais da história era lançado no Estados Unidos, Boys for Pele...

sábado, 11 de setembro de 2010

Tradução: Boys For Pele [PARTE 2]

Muhammad My Friend (Muhammad, Meu Amigo)

Muhammad, meu amigo
É hora de contar ao mundo
Nós dois sabemos que foi uma garota,
Lá, em Belém
E naquele dia fatídico,
Quando ela foi crucificada,
Usava um Shiseido¹ vermelho,
E nós bebemos chá a seu lado

Doce, doce, doce...
Costumava ser tão doce para mim

Muhammad, meu amigo
Estou ficando muito assustada
Ensine-me como amar
Os irmãos meus
Que não conhecem a lei
E sobre o acordo no trapézio voador,
Tenho uma mão de manteiga de amendoim...
Mas o Mel de fato pingou dentro
Da Hospedaria da Gota de Orvalho

Doce, doce, doce...
Entre os garotos e as abelhas

E Moisés, eu sei,
Eu sei que você viu fogo
Mas você nunca viu fogo de verdade,
Enquanto não tiver visto o Sopro de Pele
E eu nunca vi a luz
Mas com certeza, já vi o ouro...
E Gladys, guarde um lugar para mim
Em sua vinha
Até eu ganhar meu próprio programa de TV

Ashre, ashre, ashre, ashre...
E seu eu perder meu Cracker Jacke²
Nas ondas da maré,
Eu ganho um lugar no roupão emborrachado
Do Papa

Muhammad, meu amigo
É hora de dizer ao mundo
Nós dois sabemos que foi uma garota,
Lá, em Belém

¹ “Shiseido” é uma conhecida marca de cosméticos.
² Doce feito de pipoca caramelada e amendoim (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Cracker_Jack).

Hey Jupiter (Ei, Júpiter)

Ninguém atende ao telefone
Acho que sou eu, e só eu...
E esta pequena masoquista
Está pronta para confessar
Tudo aquilo que nunca imaginei
Que ela poderia sentir
Ei, Júpiter
Nada permaneceu como antes...
Então, você está feliz?*
Você está triste?*
Pensei que nós dois podíamos
Usar um amigo como apoio...
E pensei também que não teria de
Ser com você
Algo novo

Às vezes,
Respiro você,
E eu sei, você sabe disso
Às vezes, você dá um mergulho...
Encontrei seus dizeres em minha parede
Se meu coração pinga de tão úmido,
É porque suas botas, garoto, podem causar um estrago
Ei, Júpiter
Nada permaneceu como antes...
Então, você está feliz?
Você está triste?
Pensei que nós dois podíamos
Usar um amigo como apoio...
E pensei também que você não teria de
Ser para mim
Um disfarce

Achava me conhecer tão bem,
Todas as bonecas que tive
Pus meu couro na estante,
Seu apocalipse foi fabuloso
Para uma garota que não podia escolher
Entre o chuveiro e a banheira...

E pensei que não teria de
Ser com você
Somente uma revista

Ninguém atende ao telefone
Acho que ficou claro,
Ele se foi
E esta pequena masoquista
Está levantando seu vestido
Acho que já pensei um dia ser incapaz
De sentir o que estou sentindo...
Ei, Júpiter
Nada permaneceu como antes...
Então, você está feliz?
Você está triste?
Pensei que nós dois podíamos
Usar um amigo como apoio...

Ei, Júpiter
Nada permaneceu como antes...
Então, você está seguro?
Agora que já passamos por isso...
Pensei que nós dois podíamos
Usar um amigo como apoio

Ei, Júpiter

* No original, a letra diz nessa parte: "Are you gay? Are you blue?", o que indica uma segunda conotação, relativa à orientação sexual do interlocutor.

Versos adicionais da Dakota Version: Eu sigo, dia após dia...
Eu sei onde ficam os armários de louça...
Eu sei onde o carro foi estacionado...
Eu sei, ele não é você...

Way Down (O Fundo do Poço)

Talvez eu seja o arrebol
Pois estou com uma atadura, você sabe...
Você não ouve a gargalhada no fundo do poço?

Talvez eu seja o repórter-âncora,
Jantando com o filho do Sam
Um cabelo muito dado a conversar, no fundo do poço

Vou conhecer uma Grande e Corajosa Estrela
Vou dirigir seu ótimo carrão...
Vou ter tudo isso aqui,
No fundo do poço

O fundo do poço
O fundo do poço
O fundo do poço
(Ela conhece, vamos lá...)
O fundo do poço
O fundo do poço
O fundo do poço...
Ela conhece...

Little Amsterdam (Pequena Amsterdã*)

Pequena Amsterdã,
Numa cidade do Sul
Canjica, tenha isso num prato,
Garota
Mama, mantenha sua cabeça baixa
Mama, não era minha bala...

Não me faça voltar ao alcance da arma
Ao alcance da arma...
Estou somente saindo da célula em meu cérebro
Não me faça voltar ao alcance da arma
Ao alcance da arma...
Pois, garotas, vocês precisam saber por esses dias
Qual o seu lado

Mama se deu mal,
Ela amou um homem pardo
Então, ela construiu uma ponte,
Na cama do Xerife
Ela faria qualquer coisa para salvar seu homem
Veja que suas azeitonas são prensadas a frio
E seu melhor amigo é um vestido de sol...
Mas Mama! Não era minha bala...

Não me faça voltar ao alcance da arma
Ao alcance da arma...
Estou somente saindo da célula em meu cérebro
Não me faça voltar ao alcance da arma
Ao alcance da arma...
Pois, garotas, vocês precisam saber por esses dias
Qual o seu lado

Completamente só, tenho uma garota na cidade
Ei, tenho um quarto e um lugar para dois
Tenho um bode e um telefone, eu disse, garoto...
Você é minha Quinta Avenida

De voltas em voltas e voltas vou
De voltas em voltas, desta vez para continuar lucrando
(Diga algo ao carrasco por mim, meu bebê)
De voltas em voltas e voltas vou
De voltas em voltas, desta vez para continuar lucrando
(Diga algo ao carrasco por mim... Eu e meu bebê)
Pai, apenas você pode salvar minha alma
E tocar este órgão deve contar por alguma coisa...
Alguma coisa!
Garotas, vocês precisam saber por esses dias
Qual o seu lado

Pequena Amsterdã,
Fechado hoje
Eles a enterraram com um buquê de favas
E o Xerife agora não pode mais cavalgar
Como ele disse que faria, sob o pôr-do-sol
E não direi
Que ele não deveria ter pagado...
Mas Mama!
Não era minha bala.

* “Little Amsterdam” da canção deve ser um prostíbulo. Ele foi assim retratado em sua ótima história do Comic Book Tattoo:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiiO5f2KgkNKDT5BcA4RNLWGs_Eo3R7bmy5Ge878UBqyimVcXL64eE4AcXSJSsyQgU6f5Ux_e6mMiopEcz6UHP3b_JII3pt-9zYVVzhZO0cDBtX6ta6tZvSXBhBAvWWdl3zEn7Bnb26JGpo/s400/cbt+little+amsterdam.jpg.

Talula*

Parabenizo-lhe,
Disse que você tinha uma língua dupla
Mexendo o bolo e o pão...
Diga “adeus” a uma garota de glíter
Talula, Talula
Eu não quero perdê-la
Ela deve valer pela perda,
Se algo nesse mundo
Tiver valor
Talula, Talula | açúcar
Ela está novinha em folha para você | Doce amor
Dentro de seu carregador de bebês | Suavemente
Seu pequeno cookie de figo

Diga “adeus” agora, baby, temos de ir...
Diga “adeus”, baby, ao Velho Mundo

Esbarrei com o escudeiro que decepou Ana Bolena**
Ele fez isso rápido, um homem misericordioso
Ela disse que um mais um são dois | Talvez eu seja um homem feliz
Mas Henrique** disse que eram três | Talvez eu seja um melão honeydew
Pois que seja, | Talvez seja só um trabalho ruim
Aqui estou | Talvez seja o que você é

Talula, Talula
Eu não quero perder isto
Isto deve valer pela perda,
Se algo nesse mundo
Tiver valor
Talula, Talula | Ouça
Ela está novinha em folha para você | Baby
Dentro de seu carregador de bebês | A ceia está...
Seu pequeno cookie de figo | Esfriando

E Jamaica,
Você sabe, sabe mesmo o que eu fiz?
Maria M¹, tecendo, disse:
“O que vocês querem está no sangue, Senadores²...
O que vocês querem está no sangue, Senadores”
Eu tenho o Garibaldo³ na linha de pesca
Com um pouco de um grito, um pouco de um grito
Um pouco de uma tromba raivosa
Ele é minha prostituta predileta, entre todos da turma
E eu sei sobre sua única Noiva
E sobre como os russos morrem no gelo
Estou usando meu chapéu de estupro, amor
Mas eu sempre pude tê-lo como um acessório
E eu nunca me preocupei tanto com dinheiro
Mas eu sei, agora, querido
Que ele está nas mãos de Deus
Mesmo não sabendo ainda quem é o Pai...

Talula, Talula
Eu não quero perdê-lo
Ele deve valer pela perda,
Se algo nesse mundo
Tiver valor
Talula, Talula
Ele está novinho em folha para você,
Dentro de seu carregador de bebês
Seu pequeno cookie de figo...
Seu pequeno cookie de figo...
Seu pequeno cookie de figo

* Sinceramente, não sei quem ou o que é Talula. Disseram-me certa vez ser uma consorte do demônio que dança para ele. Tori já se referiu à ideia de dança quando explicou esta canção.

** “Ana Bolena” e “Henrique” são personagens reais da nobreza inglesa, no século XVI (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Bolena).

¹ “Maria M”, na minha opinião, é Maria Madalena.

² Aqui, foram traduzidos “Sangue” e “Senadores” separadamente. Porém, em alguns fóruns estas palavras formam uma expressão única, “Senadores de Sangue”.

³ “Garibaldo” é de fato o personagem da Vila Sésamo, em inglês “Big Bird”.

Versos adicionais do Tornado Mix: Ele está perseguindo tornados
Enquanto eu aguardo, calmamente
Perseguindo... Ela... Ei...

Not The Red Baron (Não O Barão Vermelho)

Falado: “Que língua?” Não, holandês
Não o Barão Vermelho
Não Charlie Brown
Penso ter a mensagem cifrada...
Outro piloto abatido
E são eles demônios com auréolas e belas capas,
Levando-os para as chamas?

Não Judy G
Não Jean, Jean, Jean com seu coração santificado
Eu veja essa imagem entrando
Nas chamas...
A cada passo
A cada belo salto pontiagudo
“Ei”, disse

Não o Barão Vermelho, tenho certeza
Não o maravilhoso cão de Charlie
Não alguém a quem eu realmente conheça...
Só outro piloto abatido
Quem sabe eu cante para ele um último sonzinho...
Alguns de lá conhecem garotas com laços de fita vermelhos
Os mais lindos
Laços
Vermelhos

Nota: pensamos também que “Not The Red Baron” poderia ser traduzida como “Sem o Barão Vermelho”. Decidimos optar por “Não o Barão Vermelho”, mas fiquem à vontade para opinar sobre as hipóteses.

Agent Orange (Agente Laranja)

Tenho de lhe dizer o que ouvi
Do Agente Laranja
O Senhor Bronzeado
Senhor “Homem Feliz”
Senhor “Eu conheço garotas
Em todas as turnês mundiais”
Senhor Agente, sim...
Ele é meu favorito
E não, não entendem...
Ele tem fãs de óleo de palma
Sim, ele está lá e acolá,
Em todo lugar
E tem um A à Z...
Uma cidade subaquática
Onde ele nada
E nada...

Doughnut Song (A Canção do Donut)

Tinha comigo um truque, um pontapé e sua mensagem...
Você nunca ganhará peso devido ao buraco de um donut
Então pensei ser capaz de decifrar sua mensagem
Não há ninguém aqui, querido...
Ninguém mais

E se estou gastando todo seu tempo, desta vez
Talvez você nunca tenha aprendido a receber
E se estou no aguarde de sua sombra,
Acho que já passei de todos os limites

E homens do sul podem virar ouro | Você pode me dizer que é o fim
Podem ficar petulantes | É o fim
Sangue pode ser petulante | Você pode me dizer
Como um homem delicado | Sobre, sobre seu ombro...*
Do cobre ao aço, até uma dobradiça vacilante | Você pode me dizer que é o fim, é o fim
Que lhe deixa entrar, deixa entrar, deixa entrar... | Venha a Houston

E se estou gastando todo seu tempo, desta vez
Talvez você nunca tenha aprendido a receber
E se estou no aguarde de sua sombra,
Acho que já passei de todos os limites

Alguma coisa está lhe entorpecendo...

Você me disse, noite passada,
Que você era um sol agora
Com o seu próprio e devotado satélite
Feliz por você,
E estou certa de que lhe odeio!
Dois filhos, tantos fogos capazes, ei, sim...

E você me fez perder todo meu tempo, desta vez | Você pode me dizer que é o fim | Eu lhe vi
Eu disse que você nunca aprendeu a receber | Você pode me dizer, sobre, sobre seu ombro
E se estou no aguarde de sua sombra,
Acho que já passei de todos os limites...
Acho que já passei de todos os limites

Tinha comigo um truque, um pontapé e sua mensagem...
Você nunca ganhará peso devido ao buraco de um donut

* Tori faz um jogo com a palavra “over” nos vocais incidentais de Doughnut Song: “You can tell me it’s over” pode significar tanto “você pode me dizer que é o fim”, como “você pode me dizer que isto está sobre – sobre seu ombro”.

In The Springtime Of His Voodoo (Na Mocidade De Seu Vodu)

Parada numa esquina em Wislow, Arizona
Certa de estar na canção errada
Duas garotas, 65, têm um pedaço preso ao banco traseiro
“Querida, nós somos cristãos em recuperação!”

Na mocidade de seu vodu,
Ele iria me mostrar primavera...

E justo lá, por um minuto,
Eu lhe conhecia tão bem...
E justo lá, por um minuto,
Eu lhe conhecia tão bem...

Tenho uma buceta raivosa,
Garotas, vocês sabem do que estou falando...
Quando todo esse requebrado não faz o truque!
Eu, esmagada sanitariamente...
Sr. Sulu*,
Velocidade Warp*
Velocidade Warp...
Sim, sim, sim, sim... Ei!

Na mocidade de seu vodu...
Na mocidade de seu vodu...

Todos os caminhos conduzem de volta à minha porta | E justo lá, por um minuto
Todos os caminhos que eu seguirei... | Eu lhe conhecia tão bem...
Todos os caminhos conduzem de volta à minha porta | E justo lá, por um minuto
Todas as cruzes estão ocupadas... | Eu lhe conhecia tão bem...

E eu sei que ela não é tão atraente assim, garotos...
Eu disse saber que ela não é tão atraente assim, mas...
Vocês têm algo a pagar!
Algo a pagar, às vezes...
Vocês têm algo a pagar, garotos,
Quando forem o brilho solar de suas mamães...
Vocês têm de dar algo, às vezes,
Quando forem a mais doce cereja
Numa torta de maçã...
Preciso de um pouco de vodu nestas ameixas!

Na mocidade de seu vodu
Na mocidade de seu vodu, sim...
Ele iria me mostrar primavera...

* “Sr. Sulu” e “Warp Speed” são referências diretas ao seriado Star Trek, sendo o primeiro um dos personagens (Hiraku Sulu - http://en.wikipedia.org/wiki/Hikaru_Sulu), e a segunda a velocidade com a qual viajaria a Starship Enterprise (http://3pillarsofwits.files.wordpress.com/2008/07/starship-enterprise.jpg), nave espacial do seriado. “Warp Speed” deriva de “Warp drive”, um movimento mais rápido que a luz (http://en.wikipedia.org/wiki/Warp_speed#Warp_velocities). Neste link: http://www.sciencedaily.com/releases/2009/05/090507175838.htm - há ainda um artigo interessante de dois físicos (mesmo) sobre as possibilidades de viajar nesta dita velocidade.

Putting The Damage On (Assumindo Os Danos¹)

Cola,
Presa a meus sapatos
Alguém sabe o porquê de você brincar
Com uma casca de laranja?
Você disse que arrumou minhas coisas,
E separou o que (nelas) era meu
Agora, você saiu para o topo da montanha...
Eu digo, “as pernas magras dela podiam usar o sol”
Mas agora, desejo somente
A minha melhor impressão,
Da minha melhor Angie Dickinson²...
E agora também tenho de me preocupar
Pois, garoto, você ainda parece bonito
Quando está assumindo os danos
Quando está assumindo os danos...

Não me faça ter de arranhar sua porta,
Eu jamais lhe deixaria por um banjo
Eu só me virei por um poodle
E uma corveta,
E minha impressão
Da minha melhor Angie Dickinson...
Mas agora tenho de me preocupar
Pois, garoto, você ainda parece bonito
Quando está assumindo os danos
(Bonito)
Quando está assumindo os danos...

Estou tentando não me mover,
É só seu fantasma passando...
Eu disse,
Estou tentando não me mover
É só seu fantasma passando
Só seu fantasma
Passando
E agora,
Estou bem certa...
Há uma luz em seu pelotão
Eu nunca vi uma luz se mover
Como a sua
Move-se por mim
Então, agora, desejo somente
A minha melhor impressão,
Da minha melhor Angie Dickinson...
E agora também tenho de me preocupar
Pois, garoto, você ainda parece bonito
Para mim

Mas, agora, tenho para onde ir
Eu tenho um bilhete para sua última apresentação
E agora, estou me preocupando
Pois, ainda assim,
Você é com certeza bonito
Quando está assumindo os danos...
Sim
Quando está assumindo os danos,
Você é tão bonito...
Quando está assumindo os danos

¹ Literalmente, “Putting the damage on” seria “vestindo os danos”. No entanto, por preferência pessoal, preferi usar “assumindo”.

² Angie Dickinson é uma atriz estadunidense, mais conhecida pelo seu papel de Sargenta Suzanne ‘Pepper’ Anderson na série Police Woman (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Angie_Dickinson).

Twinkle (Cintilo)

Certamente,
Essa estrela é capaz de cintilar
E você a vê, fazendo isso
Garoto durão... Garoto durão...
Mas eu conheço uma garota
Duas vezes mais durona
E eu tenho certeza,
Tenho certeza de que ela está vendo, também
Disse não importar qual o laço que ela tem
Em sua adequada penteadeira...
Eu sei, ela vê essa estrela

Vai cintilar
Vai cintilar
Vai cintilar...

Da última vez que soube, ela trabalhava numa Abadia, do Iowa
Ela disse, “Eu matei um homem, T
Preciso ficar escondida neste mosteiro”
Mas eu posso ver essa estrela
Quando ela cintila,
E ela cintila...
Pois de fato posso,
E isso significa
Que de fato posso
Isso significa
De fato posso...

Tão dura...
Tão dura

Por Hernando Neto.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tradução: Boys For Pele [PARTE 1]


Beauty Queen (Rainha da Beleza)

Ela é uma Rainha da Beleza
Meu doce saco de feijão*, na rua...
Leve-a para fora
Do incidente da lavanderia
Não sei o porquê dela estar em minha mão...
Não sou capaz de descobrir o que é isso,
Mas...
Eu minto, minto e minto, outra vez

* “Bean bag” é um pequeno saco com feijões secos, antigamente usado por crianças em brincadeiras.

Horses (Cavalos)

Consegui alguns cavalos,
Para passear... Passear
Eles dizem que seus demônios
Não conseguem ir lá
Então consegui alguns cavalos,
Para passear... Passear
Contanto que seu exército
Permaneça perfeitamente
Quieto

E talvez eu encontre para mim
Um marinheiro,
Um alfaiate
E talvez juntos,
Seremos como uma boa mãe
Então consegui alguns cavalos,
Para passear... Passear
Contanto que seu exército
Permaneça perfeitamente
Quieto

Você me mostrou a planície
E Milkwood*,
E Silkwood**
E (pensei que) você iria, se eu fosse
Mas você nunca iria, de qualquer jeito
Então persegui seus ramalhetes,
Seus amores-perfeitos em meus pequenos cavalos¹
Abri, pois, minhas mãos
E elas estavam vazias,
Então

Fora com o Superfly²,
Fungando uma caneta Pontiaguda
Querido, é “Bill e Ben”³
Fora com o Superfly,
Contabilizando suas abelhas,
Oh, eu... Querido, é como
Um, dois, três
A câmera está ligada,
É fácil,
Como
Um
Dois
Três

E se existir algum jeito de lhe encontrar,
Eu lhe encontrarei
Mas você me encontrará se Neil me transformar numa árvore?
Um afro, um faraó...
“Eu não posso ir”
Você disse, então
E fios feitos de ouro não partem
Tão fácil assim
Não partem tão fácil assim...
Não partem tão fácil assim

* Milkwood - a referência que achei foi para plantas da família Apocynaceae, dos gêneros botânicos Tabernaemontana e Alstonia (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Milkwood). São plantas que produzem um líquido leitoso e por vezes tóxico, sendo uma delas conhecida no Brasil como "Leiteira". Há ainda uma outra referência: Under Milk Wood foi uma radionovela (1954) de Dylan Thomas. Era baseada nos pensamentos de moradores de uma vila galesa fictícia, Llareggub (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Under_Milk_Wood).

** Silkwood deve dizer respeito a Karen Silkwood, que teve sua história retratada no filme “Silkwood” (1983). Ela foi uma operária morta num acidente automobilístico. Acredita-se que na verdade ela tenha sido assassinada, por investigar irregularidades na usina de plutônio onde trabalhava (Fonte: http://www.imdb.com/title/tt0086312/ - http://en.wikipedia.org/wiki/Silkwood).

¹ “Pequenos cavalos” é uma tradução pertinente ao léxico “Horsies”, e decidi usá-lo só como uma tentativa de solucionar o problema. Quando achei “Hosie”, sempre era dito como um sobrenome; Por fim, vale a pena citar o livro Hosie’s Alphabet como uma possibilidade (Fonte: http://www.goodreads.com/book/show/1687523.Hosie_s_Alphabet).
² “Superfly” pode estar atrelado ao filme homônimo de 1970, além de algumas personalidades. Arrisco-me a pensar que Tori cite Frank “Superfly” Lucas, responsável pelo tráfico de heroína entre as décadas de 60 e 70 nos EUA (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Superfly).

³ “Bill and Ben” pode referir-se a uma série de personagens, listados a seguir: 1) aos Homens de Vaso de Flor Bill e Ben, do seriado televisivo The Flower Pot Men (1952); 2) às locomotivas amarelas Bill e Ben, dos livros "The Railway Series" (Rev. Wilbert Awdry e Christopher Awdry - 1945 - 1ª pub.) e do seriado televisivo "Thomas and Friends" (1984); 3) ao nome de uma música da banda Catherine Wheel, lançada no álbum Ferment (1992) (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Bill_and_Ben).

Blood Roses (Rosas de Sangue)

Rosas de sangue, rosas de sangue
De volta às ruas, agora
Rosas de sangue, rosas de sangue
De volta às ruas...
Não consigo acreditar nas coisas que você nunca disse
Em dias como estes, começo a pensar...

Quando galinhas provam de sua carne, garoto
Quando galinhas provam de sua carne...

Você os deu seu sangue,
E seu quente e pequeno diamante
Ele gosta de matá-lo depois de você já ter morrido!
Você acha que sou uma bicha...
E eu acho que você é uma bicha!
Eu acho que você é uma bicha!
Eu acho que você é uma bicha...

Raspei cada lugar onde você esteve, garoto
Eu raspei cada lugar onde você esteve...

Deus sabe, eu sei, que eu joguei fora essas graças!
Deus sabe, eu sei, que eu joguei fora essas graças!
Deus sabe, eu sei, que eu joguei fora essas graças!

A Belle de Nova Orleans tentou me mostrar certa vez
Como dançar Tango
Entrelaçado em seus pés
Entrelaçado, como boas e frágeis rosas...

Rosas de sangue, rosas de sangue
De volta às ruas, agora
Então você estirpa a flauta da garganta do mergulhão (ou “vagabundo”)
Ao menos quando você chora, agora,
Ele mal pode lhe ouvir

Quando galinhas provam de sua carne...
C'mon, C'mon, C'mon, C'mon!
Quando elas lhe chupam com vontade...
Às vezes, você não passa de
Carne

Father Lucifer (Pai Lúcifer)

Pai Lúcifer,
Você nunca pareceu muito são
Você sempre preferiu o granizo à chuva
Admita que você ainda está apaixonado
Por aquela Leiteira
Como estão Lizzies¹?
Como seu Jesus Cristo foi pendurado?

Nada vai me impedir de flutuar!
Nada vai me impedir de flutuar...

Ele diz ter deduzido que sou uma mancha de aquarela
Ele diz que eu corro, então eu corri dele
E corri outra vez
Ele não me viu olhando
Lá do avião...
Enxugou uma lágrima,
E então jogou fora nossa semente de maçã

Nada vai me impedir de flutuar!
Nada vai me impedir de flutuar...

Todo dia é meu dia de casamento
Mesmo o bebê estando ainda em seu estado comatoso
Eu pintarei meus próprios ovos de Páscoa
Não se vá agora... Não se vá
E Beenie perdeu seu pôr-do-sol, mas tudo bem | Talvez ela esteja se escondendo num cachorro-quente
Joe ainda traz flores para o túmulo de Marilyn? | Tem um porco escondendo-se numa trufa
E garotas que comem pizza, e nunca engordam | Usando essas ligas roxas
Nunca engordam, nunca engordam... | E garoto, eu tenho um quarto em Hoboken²

Pai Lúcifer,
Você nunca pareceu muito são
Você sempre preferiu o granizo à chuva
Admita que você ainda está apaixonado
Por aquela Leiteira...
Como estão Lizzies?
Como seu Jesus foi pendurado?

¹ “Lizzie” é o diminutivo de Elizabeth, então preferi deixá-lo sem tradução. Porém, uma gíria inglesa diz que lizzie pode ser também um carro velho e desvalorizado.
² “Hoboken” é uma cidade no estado de New Jersey, EUA.

Versos adicionais: Hard Rock Live (1999)

E se você chamar,
Estou lhe dizendo
Você verá através de tudo isso
As mentiras ficaram todas para trás, agora
E se você quiser
Algo dela, bem...
Steve McQueen*, de fato creio
Que ele continua ouvindo
E se você quiser,
Eu lhe levo de volta
Para '84
Quando você era um jovem garoto
E se você quiser
Algo dela, bem...
Não posso sê-la,
Mas posso fazê-lo
Atravessar a porta

On Scarlet’s Walk Tour e Lottapianos Tour (2002-2003)

Vão embora, garotas...
Tragam boas gargalhadas
Steve McQueen
Sempre o traz de volta
Para um lugar no qual ele guarda
Fotos das fotos
Da face dela

Vão embora, garotas...
Vão, bem rápido
Steve McQueen brinca,
E isso o leva ao lugar
Aonde ele guarda fotos das
Fotos das fotos
Daquele dia

Vão embora, garotas,
Eles são rápidos
Steve McQueen
Sempre o leva de volta
A um lugar no qual
Ele sempre tem de trazê-la
De volta

* O tão citado “Steve McQueen” é um ator norte-americano, reconhecido por seus filmes de ação. Seu site oficial: http://stevemcqueen.com.


Professional Widow (Viúva Profissional)

Inferninho
Esperma
Ó, querido, traga isto para perto de meus lábios
Não afaste esses cérebros, ainda
Nós temos de ser grandes, garoto
Temos de ser grandes
Starfucker, como meu pai...
Vendendo seu bebê,
Assim como meu pai
Vou acertar um acordo,
Fazê-lo sentir como um membro do congresso...
Isso acontece em nossa família
Acontece em nossa família!

Repouse seus ombros, Pêssegos e Creme
Para todos os lados um Judas, até onde sua vista consiga chegar...
Um belo anjo clamando,
“Nós temos cada reprise de Muhammad Ali”

Prisma perfeito
Ó, querido, traga isto para perto de seus lábios
O que é conhecido como um deslizamento do princípio...
Proporção, garoto!
Então tem de ser grande
É melhor que seja grande!
Starfucker, como meu pai...
Vendendo seu bebê,
Assim como meu pai!
Vou acertar um acordo,
Fazê-lo sentir como um membro do congresso...
Isso acontece em nossa família
Acontece em nossa família!

Mãe Maria
Branco chinês
Marrom deve ser mais doce,
Ela proverá...
Mãe Maria
Branco chinês
Marrom deve ser mais doce,
Ela proverá...
Ela proverá...
Ela proverá!
Ela proverá!

Dê-me paz, amor e um pau duro!

Mr. Zebra (Sr. Zebra)

Olá, Sr. Zebra,
Posso usar seu casaco?
Pois faz frio, frio, frio
Em meu buraco, buraco, buraco...
Ratatouille Estricnina*
Às vezes, ela é minha amiga
Com um redemoinho gigantesco
Que embalhará sua cabeça!

Olá, Sr Zebra,
Fiquei um pouco confusa com
A Sra Crocodilo
Mexilhões peludos marchando,
Ela pensa ser Kaiser Wilhelm¹,
Ou um civilizado syllabub²,
Somente para embaralhar sua mente...

Procure entender!
Ela é uma companheira das boas horas,
E tem algum dinheiro para lutar
Pelos direitos de Moneypenny³
Procure entender!
Ela é uma companheira das boas horas...
“Muito triste,
O enterro foi prematuro”
Disse ela e sorriu

* “Ratatouille” é uma receita culinária do Séc. XVIII de origem francesa
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Ratatouille) – Só para constar, em 2007, lançou-se um filme sobre um ratinho cozinheiro, Remy, com o mesmo nome da receita – A “estricnina”, por sua vez, é um potente veneno, e parece que na verdade a expressão “Ratatouille Estricnina” diga respeito mais a um personagem que seus significados separados.

¹ “Kaiser Wilhelm” é uma referência a personalidades históricas, os Imperadores Germânicos Wilhelm I (http://en.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_I,_German_Emperor) Wilhelm II (http://en.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_II,_German_Emperor). Este foi o último rei da Prússia.

² “Syllabub” é uma bebida. Seu preparo se dá com leite batido acrescido de vinho, além de outros ingredientes.

³ “Moneypenny” deve ser uma referência à Miss Moneypenny, secretária de M, a chefe de James Bond. Parece haver uma tensão sexual entre os dois, mas é algo que nunca se realizou (ela nunca foi uma Bond Girl...) – (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Miss_Moneypenny)

Marianne

Atum,
Borracha...
Um pouco de gordura de baleia em meu iglu
E eu conhecia você,
Tranças e todo o resto...
Garotas quando elas caem

E eles dizem “Marianne se matou”
E eu digo, “Sem chance”
Você não ama essas garotas, damas, bebês?
Velhas chatas que dizem, “Como ela era bela...
Por que, por que, por que, por que ela caiu
Nessa velha e profunda ravina”?

Vamos lá, tranças, garota e todos os marinheiros
Peguem suas bolsas e se curvem...
Você não irão se curvar?!
Curvar...
Pois Ed está atento ao meu menor ruído,
Eu disse...
Eles estão atentos ao menor ruído que eu faça

A doninha guincha mais rápido que uma semana de sete dias
Eu disse, Timmy, e esse Macaco roxo
Estão em prantos
Na casa de Bobby,
Tornando-se inoportunos, medrosos e bufões
E meus traidores da natureza...

E eu ando pensando,
Ando pensando em Marianne

Ei, ela podia ultrapassar até a mais rápida lesma!
Ela podia...

E eu ando pensando em Marianne,
A garota mais rápida numa frigideira...
Eu ando pensando em
Marianne

Caught a Lite Sneeze (Tive Um Fraco Resfriado)

Tive um fraco resfriado
Foi só uma brisa leve
Ganhei um pouco de peso,
A semente-relâmpago
Garotos a minha esquerda
Garotos a minha direita
Garotos no meio,
E você não está aqui
Preciso de um bom empréstimo,
Vindo da zona feminina

Construindo...
Desmoronando
Não sabia que nosso amor era tão pequeno,
Ele não pôde se sustentar...
Senhor São João, traga seu filho

A espiral está quente,
E minhas células não conseguem se alimentar
E você ainda está com essa Belle arrastando sua borra, sim
Estou a escondendo bem, Irmã Ernestine
Mas essa Belle continua arrastando minha borra

Construindo...
Desmoronando
Não sabia que nosso amor era tão pequeno,
Ele não pôde se sustentar...
Senhor São João, traga seu filho

Bem a tempo, você chega cada vez mais perto...
Chamou meu nome, mesmo não havendo razão
Para se usar dessa fama
Alugue sua mulher e seus filhos, agora
Talvez ela vá...
Talvez ela vá!

Tive um fraco resfriado
Sonhei um sonho barato
Construí minha própria e útil
Máquina de odiar
Garotos a minha esquerda
Garotos a minha direita
Garotos no meio,
E você não está aqui
Garotos em seus próprios vestidos
E você não está aqui
Preciso de um bom empréstimo,
Vindo da zona feminina

Construindo...
Desmoronando
Não sabia que nosso amor era tão pequeno,
Ele não pôde se sustentar...
Senhor São João, traga seu filho

Por Hernando Neto.

Tradução: Boys For Pele


But you've never seen Fire,
Until you’ve seen Pele blow


Tori já disse uma vez ser mais dada ao fogo, e é justo no Boys For Pele (1996) que isso está mais evidente. O tema básico do álbum é o sacrifício das ilusões, metaforizadas na forma dos garotos que, oferecidos à Deusa havaiana do fogo, eram jogados nos vulcões. Mrs Amos havia terminado um longo relacionamento de forma nada simpática, e, como sempre, voltou-se à música para exorcizar a presença desse que então era “o amor de sua vida”. Junte a perigosa fórmula da “mulher magoada E emputecida” às farpas religiosas e ao reconhecimento de sua própria fraqueza, e voilá, temos um estrondoso grito em nome da libertação do espírito.
Apesar de alguns críticos terem taxado o Pele como hermético demais (em parte, não estão errados), este é um dos álbuns mais queridos pelos fãs, com seus momentos de raiva (o cravo em Blood Roses e Caught a Lite Sneeze), ou de melancólica beleza (Horses e Putting The Damage On). Como as letras são difíceis, tivemos dúvidas durante a tradução, o que me leva a pedir outra vez: qualquer comentário que ajude a melhorar a compreensão do trabalho, por favor, teça.
Comecemos a dança...

Por Hernando Neto.